Morre o Quadrinista Minami Keizi

15/12/2009
Confira também o texto “Minami Keizi, a Edrel e as HQs brasileiras” de Elydio dos Santos Neto
Por Michelle Ramos.

Faleceu ontem aos 64 anos, o Minami Keizi quadrinista nipo-brasileiro, formado em Jornalismo e em Desenho, fundador e editor da Editora Edrel entre as décadas de 1960 e 1970, marcou forte presença no campo editorial dos quadrinhos, publicando, em grandes tiragens, Minami foi um dos grandes precursores do estilo mangá nos quadrinhos nacionais; em 2004 recebeu o prêmio Angelo Agostini como Mestre dos Quadrinhos Nacionais e foi um dos homenageados do 20º HQ Mix. Como roteirista Keizi também trabalhou com o Julio Shimamoto em Lendas de Musashi e Lendas de Zatoichi, lançados pela EM Editora.

O Artista também era autor de vários livros, em torno de 800 especialmente que abordando a cultura oriental como “Horóscopo Japonês”, escrito ao lado de Claudio Seto; Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72; escreveu textos sobre  astrologia e reflexões filosóficas para o site Nippo Brasil.

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Artigo: Conhecimento e Roteiro

12/11/2009
Por Tiburcio

Aprendi detalhes importantes para escrever roteiros de quadrinhos e acredito que vale a pena dividir isso com os jovens autores que acompanham este blog. Sempre tentei escrever quadrinhos para poder desenhá-los. E essa tarefa, especialmente na juventude, me pareceu mais exaustiva e instigante. A pergunta mais freqüente era: escrever sobre o quê?

E nesse compasso sinuoso, começava a escrever, a criar histórias de tipos diversos, às vezes inspirado em trabalhos de outros autores, mas, sempre acontecia da fonte “secar” num determinado momento e eu perdia o entusiasmo. Também ocorria ter de escrever sobre um tema específico e por falta de conhecimento, o trabalho inconsistente, não conseguia agradar ao editor.

Me lembro de que, um dos meus primeiros quadrinhos publicados – o DROPS – era severamente criticado pelos colegas de universidade, por falta de apelo. Também pudera, o pessoal era fã de super-heróis ou de autores mais maduros e mais experientes que eu. Hoje entendo que o DROPS era a expressão máxima do meu conhecimento na época. Daí a falta de profundidade, sem muito apelo. Seria difícil produzir uma obra semelhante à de um autor tarimbado sem vivenciar ou saber como ele viveu, nem que fosse informado através de pesquisa. Lembro de um fato curioso com relação ao Pasquim. Eu muito jovem e levava lá meus cartuns, sempre rejeitados, com toda razão, pois eram praticamente apolíticos. “- Falta molho… falta choque!” dizia o editor. O molho não era o que se comprava no mercado ou o que se aprendia na escola. Sem uma informação bem embasada, você não consegue discorrer sobre nenhum tema.

Um dia eu cheguei na MAD. Comecei ilustrando matérias e… terminei ilustrando também. Tive poucos textos aprovados lá; um deles – a Seção Desastrológica – o foi porque eu lia muito sobre Astrologia e falava então, bem fundamentado. Ou seja, eu conseguia passar de verdade 50% de humor e 50% de conhecimento. E funcionava bem assim.

Depois da MAD, houve situações em que precisei fazer um roteiro sobre outros assuntos e a dificuldade sempre aparecia. Até gostava de ilustrar ficção científica, por exemplo, porém como não tinha paciência de ler sobre o tema, logo sentia dificuldade em criar um roteiro de bom nível.

Enfim, surgiu o Meu Monarca Favorito. Considero-o, apesar de imperfeito, o resultado final mais próximo da conjugação do CONHECIMENTO com o QUADRINHO. Gosto do filão histórico, sei ilustrar de acordo com a época, leio bastante a respeito e tenho ainda uma opinião formada que ajuda a dar suporte ao argumento. Por isso fica aqui meu conselho a você, jovem desenhista de HQ: escreva sobre o que você conhece, algo assim que domine bem. Se for conhecedor de surf, escreva sobre isso; se gostar do seu tempo de escola, dedique seus textos a ele. Mas, faça do seu quadrinho uma extensão do seu conhecimento, pois assim a sua fonte, se não “secar” nunca, pelo menos vai durar muito, muito mais tempo… Afinal, ninguém é de ferro.

Revisão: Consuelo Cruz – xfroesx@gmail.com
Links:
Seção Desastrológica – http://www.tiburcio.locaweb.com.br/madtiburcio.htm
Meu Monarca Favorito – http://blog.tiburcio.locaweb.com.br/


Artigo: Jornalismo Gráfico – Um nicho em crescimento

09/09/2009

Por Michelle Ramos.

Publicada em formato online pelo G1, a HQ “Os Últimos dias de Michael Jackson(imagem acima) é uma produção do Diego Assis (texto), Rafael de Latorre (desenhos), e Rodrigo Chiesa (layout). A historia em quadrinhos é fundamentada em reportagens sobre a morte do artista, a mesma é dividida em duas partes, a ultima, intitulada “O Adeus ao Rei do Pop” foi publicada na ultima sexta feira, dia 04.

Com traços simples, definido e profissional, a HQ mostra mais uma vez sua importância e força, pois explora o jornalismo em Quadrinhos, ou gráfico, coisa não muito comum entre os artistas do Brasil, (apesar de já estar ganhando um bom numero de adeptos) mas bem praticado em outros países, como as conhecidas obras Palestina e Gorazde de Joe Sacco;“O Fotógrafo”, de Didier, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier entre outras obras.

Iniciativas assim são sempre bem vindas e causa grande interesse por parte dos leitores, como se pôde ver na repercussão que também teve no fim do ano passado, a HQ “2008 em HQ” uma retrospectiva dos fatos mais importantes que ocorreram no ano; produzida pelo quadrinista José Aguiar e publicada pelo jornal O Globo.

Sendo redundante, a HQ “Os Últimos dias de Michael Jackson” é “tão jornalística” que possibilita ao leitor ler as reportagens e notas onde a historia foi baseada, mostrando a bela pesquisa por parte dos autores. È mais que desnecessário dizer que apesar de algumas criticas daqueles que geralmente não tem a menor idéia da importância da nona arte como meio de informação e registro histórico, afirmo que essa iniciativa deve ser mais que imitada, quem sabe não seja esse mais um nicho que pode ajudar a HQB crescer e se consolidar como arte valorizada no Brasil? Façamos nossa parte.


Artigo: Perseguição sobre os quadrinistas de Brasília

21/07/2009

Por *Mauro Cesar Bandeira

Os quadrinhos não são apenas flores são espinhos também, apesar de quase todas as pessoas dizerem que são apaixonados pelos quadrinhos ainda vejo que quem trabalha diretamente com hq ainda é muito explorado e muitos não pagam o trabalho do quadrinista, e isso eu considero uma grande injustiça.

Gostaria que os pesquisadores não só divulgassem trabalho de quadrinistas estrangeiros famosos mas pesquisassem uma forma de manutenção e valorização de quadrinistas nacionais não tão conhecidos pelo público, acho que o observatório de histórias em quadrinhos tem uma chama acesa ai na usp e eu quis acender outra aqui na UnB ou mesmo criar uma universidade de quadrinhos em Brasília.

Mas aqui estou sendo muito perseguido por políticos e professores, acredito que os quadrinhos não são usados na educação por motivos políticos, porque esses não querem ver o povo crescer, mas manter na ignorância, eu sei que meu trabalho foi bastante polêmico, uma vez que acreditavam que os quadrinhos afastavam os alunos de outros textos, o que eu quis dizer foi que os quadrinhos ajudam entender uma ideia mais rapidamente seja qual for a disciplina e é entendida por varias pessoas de diferentes classe  sociais e é uma excelente ferramenta  educacional se fosse levada a sério.

*Mauro Cesar Bandeira é professor, formado em Artes Plásticas, Habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.


Artigo: “O Renascimento da arte seqüencial no DF”

07/07/2009

Por *Mauro Cesar Bandeira

O Distrito Federal hoje precisa de um despertar e de uma nova missão para o Brasil não é a toa que estamos no centro de um continente chamado américa do sul, Brasília é o ponteiro que vai indicar o rumo não apenas do Brasil mas de toda América do sul, o que faremos aqui nesse pequeno quadrado chamado Distrito Federal vai influenciar todo o continente, por isso devemos fazer o melhor, não estamos fazendo oficinas de quadrinhos para continuarmos vitimas desse sistema opressor, estamos sim nos libertando da cultura de massa sufocante e alienadora.
Somos mais do que expectadores, seremos atores e lideres nesse novo processo cultural, o mundo espera da gente soluções e mais projetos sociais, não iremos nos contentar apenas com uma vitória, formaremos lideres dessa nova geração de artistas vencedores e não mais esperaremos que a sociedade reconheça a nossa arte, faremos o que os políticos não fazem, vamos salvar os nossos jovens com a arte seqüencial, libertaremos dos vícios, da pobreza e da ignorância.

o nosso tempo chegou vai ser agora, essa monografia vai revolucionar a história da arte no Distrito Federal por que seremos lideres na produção das histórias em quadrinhos esse vai ser chamado “O Renascimento da arte seqüencial no DF” nunca houve essa época de ouro que vai surgir agora daqui para frente, as cidades satélites com núcleos de produção de histórias em quadrinhos e pessoas perguntando onde é que tem essas aulas e interessadas em ler essas historias do DF.

Nos núcleos de produção de HQs terão varias mesas para os alunos das comunidades fazerem suas historinhas, e também terá uma gibiteca, onde as pessoas poderão fazer suas doações de gibis e revistas, também trabalharemos com jornais usados onde serão recortados as tirinhas e cartuns para colarem no portfólio.

Nas oficinas de quadrinhos será um espaço de cultura e de lazer, toda vizinhança poderá usá-la não apenas para ler gibis mais também para ler livros, jornais e revistas, e também servirá como biblioteca comunitária que toda quadra do DF terá uma.

Vamos melhorar a educação do DF através dessas oficinas de quadrinhos, por que nesses espaços também terão aulas de alfabetização de adultos, para com isso melhorar as condições de vida dessas pessoas humildes, O DF será daqui dez anos um exemplo de educação e cultura, talvez tenha um nível educacional semelhante à Finlândia, o pais que tem a melhor educação do mundo tudo isso através das oficinas de quadrinhos.

Até mesmo tentaremos confeccionar revistas em quadrinhos para aprender novos idiomas, vamos utilizar diversas técnicas para ensinar todo tipo de conhecimento através dos hqs, até mesmo assuntos de provas para concursos vamos criar novos métodos para as pessoas aprenderem melhor a gramática, matemática, direito etc.

As oficinas de quadrinhos tirará muitas pessoas do desemprego, das ruas, da mendigagem e da prostituição, até mesmo os evangélicos vão querer contar os seus testemunhos através das histórias em quadrinhos muitas igrejas e instituições vão querer contratar nossos serviços de quadrinização.

A semente será lançada agora vamos tentar implantar pelo menos uma oficina de quadrinhos em cada cidade do DF para polarizar os desenhistas e com isso aumentando o numero de alunos quem sabe até ensinado historia da arte para eles passarem no vestibular, esse projeto visa dar emprego par todos os artistas do distrito federal e entorno ele vai dar o apoio necessário para todos, coisa que o governo não se preocupa, mas essa atitude não é rebeldia e sim um projeto determinado a sanar todos os problemas que irão aparecer daqui para frente.

*Mauro Cesar Bandeira é professor, formado em Artes Plásticas, Habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.


Artigo: Poder incrível das histórias em quadrinhos

16/06/2009

Por *Mauro Cesar Bandeira

Aparentemente, a linguagem da Arte Seqüencial não encontra o amplo reconhecimento nos cursos superiores de Artes, Comunicação ou Design, pois não encontramos com freqüência disciplinas obrigatórias ou optativas que se dediquem à formação de habilidades na criação e produção em “arte seqüencial”. Quando muito se observam iniciativas isoladas no currículo acadêmico, ou em projetos de extensão, e mesmo assim com um enfoque principalmente teórico.

No entanto, nós podemos afirmar que as histórias em quadrinhos gozam de uma apreciação do público. Mas apesar de se constituir uma linguagem muito popular, esta arte parece marginal quando comparada com o apoio institucional que as outras Artes recebem.

Nós sabemos que as Hqs brasileiras não são reconhecidas como literatura, mas nesse caso vejo que ocorre uma grande injustiça em não considerar o trabalho dos nossos quadrinistas como obras literárias.

Notamos uma necessidade de valorizar as Artes Seqüenciais promovendo esta linguagem ao status das demais Artes. Atualmente os quadrinhos são considerados a nona arte, sem, no entanto desfrutar do status das outras oito linguagens artísticas.

As histórias em quadrinhos têm um poder incrível de passar mensagens sobre acontecimentos complexos e complicados. Não é à toa que os chargistas a utilizem para descrever fatos políticos apenas com um quadro. Digamos que alguém não entenda nada sobre o que está acontecendo no mundo e de repente vê uma charge de um político desenhada e de repente parece que, como mágica, entende rapidamente.

*Mauro Cesar Bandeira é professor, formado em Artes Plásticas, Habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.


Artigo: E os gibis contra-atacam

04/06/2009

HQs conquistam respeitabilidade, viram política de governo e mostram vigor como arte narrativa serial

Por Adriana Natali

Os quadrinhos ganharam uma respeitabilidade inédita no país. Usadas como paradidáticos, as HQs já integram as listas de compras do governo, que abastecem as bibliotecas escolares. Já a 7ª Festa Literária Internacional de Paraty, de 1º a 5 de julho, e como a Flip outras no país anunciam mesas inteiras dedicadas ao tema. Empresas como Oi preparam histórias disponibilizáveis por celular e internet. E o mercado editorial se aquece com lançamentos nacionais, editoras especializadas e obras de reflexão como A Leitura dos Quadrinhos, de Paulo Ramos, que discutem os limites e os rumos da linguagem do gênero.

Não muito tempo atrás, usar HQs em aula seria quase sacrilégio, embora os Parâmetros Curriculares Nacionais já sinalizassem a inclusão delas nas práticas escolares. Em 1997, o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do MEC, já podia adotar HQs em sua lista. Mas o gênero foi por dez anos ignorado pelo programa que distribui livros às bibliotecas da rede pública. Os quadrinhos viraram política de governo só em 2007, quando 14 obras entraram no PNBE. Desde então, o número cresce. Foram 16 em 2008 e, este ano, chegam a ser 23 dos 540 títulos que chegarão às escolas, de 5a a 8a séries.

- O que permitiu a entrada dos quadrinhos no programa foi o aporte de recursos e a convicção de que HQs são importante ferramenta para o desenvolvimento do gosto pela leitura. A linguagem provoca o aluno a ingressar com prazer no universo literário – diz Marcelo Soares, diretor de políticas de formação, materiais didáticos e tecnologias da Secretaria de Educação Básica do MEC.

Para o jornalista Paulo Ramos, doutor em Letras pela USP e autor de A Leitura dos Quadrinhos (Contexto), a iniciativa quebra tabus.

 

- Isso pôs obrigatoriamente os quadrinhos na pauta do professor. Não vale mais a pergunta se pode usar HQ na escola. Para o governo, deve. A questão, agora, é saber como usar essas obras de maneira criativa em práticas pedagógicas – diz Ramos.

 

Estímulo à leitura

Os gibis já sofreram forte resistência no país, quando se encarava HQs como “coisa de criança” ou “arte menor”. Vivencia-se agora, diz Ramos, um outro momento, propício a aceitar quadrinhos como arte.

 

Esse momento coincide com a maturidade do mercado. Enquanto nos Estados Unidos já se vendem mais obras em quadrinhos nas livrarias do que nos outros canais juntos (US$ 330 milhões de US$ 640 milhões totais, dados de 2007), o Brasil ocupa o 5o lugar no ranking mundial de quadrinhos, com faturamento de US$ 200 milhões anuais, atrás do Japão (US$ 2 bilhões), EUA (US$ 600 milhões), França (US$ 400 milhões) e Itália (US$ 300 milhões).

Segundo Ramos, os autores nacionais ainda encontram dificuldades para produzir e difundir seus trabalhos. A falta de indústria sustentável no setor afeta a experimentação de linguagem. O que se vê hoje, no entanto, é um cenário mais positivo no país. Editoras importantes como a Companhia das Letras passaram a investir em obras nacionais; outras se especializaram no gênero, como a Conrad. Esse material passou a ser oferecido em livrarias, conquistando um tipo de leitor mais maduro e propenso a ler material nacional em formato livro.

- Em linhas bem gerais, a trajetória do quadrinho nacional passa por esses momentos. Hoje, o movimento independente voltou com força, aliado à aposta das editoras em autores nacionais – explica Ramos.

Com a iniciativa do governo, cresce também a consciência de que a linguagem dos gibis tem ela mesma um papel no estímulo à leitura. O que aumenta a responsabilidade com a linguagem dos gibis. Estudo recente sobre o papel das HQs no desenvolvimento do hábito de ler veio do programa de doutorado da Escola de Comunicações e Artes da USP, em 2008. A pesquisa, de Valéria Bari, observou um grupo de leitores de quadrinhos que estudava em universidades. E concluiu que a leitura de criança os ajudou a criar gosto por livros e a migrar para outras formas de leitura, como jornais e livros.

Para a educadora Dinéia Hypolitto, com a inclusão das HQs no programa do governo, muitos professores que ainda tinham preconceito acabaram por mudar sua conduta.

- Além de despertar a criatividade e a imaginação, os quadrinhos contribuem para o desenvolvimento do hábito da leitura, pois conquistam os educandos não só pela estrutura gráfica, mas ao despertar o desejo de se desenhar personagens, o que colabora para a criatividade – afirma.

Mudanças


O custo e o fácil acesso são fatores históricos de popularização das HQs, embora hoje títulos como a versão gibi de O Alienista, de Machado de Assis, da lista do PNBE, tenham preços equivalentes aos do mercado livreiro. A adaptação de Gabriel Ba e Fábio Moon venceu o último Jabuti de melhor livro didático e paradidático do ensino fundamental ou médio.

- É mais fácil apresentar as informações aos poucos às crianças em livros com muitas ilustrações. Várias editoras estão entrando nesse mercado e criando trabalho para os quadrinistas – acredita Manoel de Souza, editor de Histórias em Quadrinhos.

Para Waldomiro Vergueiro, co-ordenador do Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, a inclusão dos gibis nas escolas desafia os professores, que têm de definir formas de incorporar a linguagem a seus processos didáticos.

- Os quadrinhos têm a função de meio de comunicação e transmissão de mensagens dos mais diversos tipos; é uma linguagem com potencial para desenvolver temáticas das mais diversas e dos mais diferentes gêneros – diz o professor.

Linguagem

A linguagem dos quadrinhos evoluiu. Além do desenvolvimento técnico, com o avanço da indústria gráfica (barateamento da reprodução; refinamento de tinta e papel, e da composição da página), há maior familiaridade do público com narrativas menos lineares, por causa de cinema e TV, e as inovações específicas dos grandes autores de gibis.

- O formato, a disposição na página, o movimento de leitura, tudo evoluiu, levando a uma produção mais primorosa em termos gráficos e estéticos – diz Vergueiro.

A boa e velha linguagem das HQs, no entanto, ainda é caracterizada por dois códigos que atuam em conjunto: o escrito e o gráfico. Parte da mensagem é passada pela imagem, parte pelo texto e pela junção das duas. Arte serial, composta por imagens fixas em sucessão, mas boa parte dos sentidos da narrativa são formados pela mente do leitor a partir de acontecimentos que não foram expressos graficamente – eles ocorrem no espaço entre os quadrinhos, também conhecido como calha ou sarjeta.

- O espaço entre um quadrinho e outro é preenchido pela imaginação do leitor. Assim, um quadro pode pular de uma ação à outra para o quadrinho seguinte e a mente do leitor se encarrega de imprimir o movimento. Nenhuma outra linguagem tem esta capacidade de interação com seus leitores – explica o quadrinista Jota Silvestre.

Além disso, a linguagem dos quadrinhos desenvolveu símbolos próprios, usados para expressar movimento (linhas cinéticas), sentimentos (metáforas visuais) e o som (onomatopeias), bem como convenções de fala e pensamento (em balões).

Internet e celular

O paulista Danilo Beyruth é um dos talentos do traço brasileiro que não deixa a dever a nenhum desenhista de quadrinhos de nível internacional. Viu seu personagem Necronauta, um condutor de almas para o além, ser escalado por um grande portal on-line. Enquanto produz as 18 páginas do projeto, prepara uma aventura com personagens do cangaço brasileiro. Danilo afirma que os quadrinhos oferecem, ao leitor, uma experiência intermediária e maior do que os livros e filmes.

- O texto pode carregar as nuances que teria num livro, mas entra em composição com a imagem, que não é fotográfica como a do cinema e, portanto, estimula a interpretação. A forma como o autor diagrama a página dá cadência à história e é o próprio leitor quem administra a velocidade de leitura, ao contrário de um filme, que tem duração fixa. O leitor tem tempo de parar e gastar o tempo de olhar a cena, apreciar o desenho – avalia ele.

Já a operadora de telefonia Oi criou um projeto de quadrinhos on-line e no celular, que já está em operação desde o ano passado (http://mundooi2.oi.com.br/quadrinhoshome), iniciado com a série A Corporação, também em  versão para celulares, com recursos de som e dublagem.

Iniciativas do gênero têm influenciado a linguagem dos gibis de diferentes formas. Na produção, recursos tecnológicos aprimoram a criação. Há economia de custos e de distribuição (antes, autores produziam só no papel e circulavam seus produtos num raio limitado de alcance). A dificuldade, agora, é descobrir essas obras em meio a tantas páginas virtuais.

Os quadrinhos, no entanto, ainda não encontraram linguagem específica para a internet. O que se vê hoje são as mesmas páginas impressas apresentadas na tela do computador com poucos recursos de paginação. São recentes, pouco expressivas, as experiências com interatividade e hipertexto, por exemplo. Mas, qualquer que seja o futuro reservado aos quadrinhos, iniciativas como a reabilitação oficial das HQs já se candidatam a avanço sem precedentes para o gênero no país.

Fonte: Língua Portuguesa

Dica: Gibiteca.com


Artigo: O aparecimento dos quadrinistas desconhecidos

25/05/2009

Por *Mauro Cesar Bandeira

Ainda temos poucos autores de quadrinhos que surgiram no ano de 2009 por que a mídia só fala de quem ganhou prêmios ou se destacou no exterior, vêem os quadrinhos apenas como uma ferramenta comercial.

Sem duvida os quadrinhos têm que ser vendidos e apreciados por consumidores e gerar renda para as editoras, esse é o vinculo mais forte que sustenta a produção de quadrinhos e só os quadrinistas considerados excepcionais tem espaço garantido e vivem apenas de sua arte.

A revolução que tem que acontecer é o surgimento de uma quantidade maior de novos quadrinistas e estes começarem a publicar seus trabalhos com regularidade, tenho certa impressão que existem quadrinistas que não são reconhecidos por que ninguém viu e nada foi publicado sobre seus desenhos ou roteiros isso quer dizer que não temos uma totalidade de quadrinistas tendo exposto suas histórias em quadrinhos para um numero maior de leitores.

Será que conhecemos todos os desenhistas de quadrinhos do Brasil possivelmente não, devido estes artistas anônimos não serem conhecidos o que de certa forma é uma força a menos no resgate e reconhecimento do quadrinho nacional.

Temos que fazer maiores pesquisas e colocar mais visível o trabalho desses grandes profissionais que hoje estão desconhecidos e apoiar a sua arte para que Tanto o Brasil tanto esses quadrinistas sejam consagrados no mundo dos quadrinhos.

*Mauro Cesar Bandeira é professor, formado em Artes Plásticas, Habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.


Artigo: A Guerra dos Quadrinhos Brazucas

19/05/2009

Por *Mauro Cesar Bandeira

Quadrinistas irão fazer vários quadrinhos para que o Brasil de torne referência mundial e vamos tentar melhorar a educação do país; que é possível com a ajuda de todos profissionais brasileiros da área de animação e quadrinhos.

Existe agora um procura nos meios universitários sobre a arte seqüencial, um estudo sobre quadrinhos contemporâneos. Não importa a quantidade de informação que tem na internet as criações especificas de quadrinhos, com ajuda de professores os quadrinistas poderiam ir às escolas para palestras e os assuntos devem ser inseridos em todas as disciplinas.

Dessa forma os quadrinhos vão decolar com toda força, com ajuda de todos os pesquisadores; é possível não saber de tudo na arte seqüencial porem o que é mais importante, são as atitudes em relação a essa causa.

O que é difícil talvez não seja apenas fazer sucesso na mídia e sim mobilizar líderes determinados a lutar pela causa dos quadrinhos e isso pode ser feito de varias maneiras: ensinando a arte seqüencial para mais alunos até mesmo de graça, criar novas associações de quadrinistas, preservar as que já existem e aprender com quem já tem mais experiência, comprar o quadrinho nacional para conhecer os novos artistas, ficar sintonizado sobre tudo esse assunto.

Os quadrinhos nacionais precisam um novo fôlego e ter mais visibilidade a partir de 2009, a reestruturação da arte seqüencial é uma tarefa para uma nova geração, é uma Guerra mesmo talvez até a mais difícil das guerras que os quadrinistas brasileiros já sofreram.

*Mauro Cesar Bandeira é professor, formado em Artes Plásticas, Habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.


Artigo: O Brasil precisa de seus quadrinistas

08/05/2009

Por *Mauro Cesar Bandeira.

O dinamismo do povo brasileiro é espetacular porque apesar de vivermos duras crises financeiras e não temos um bom sistema de educação, hospitalar, transporte público, etc., ainda assim temos a esperança de dias melhores e somos muito otimistas mesmo quando tudo dá errado para nós, como dizem os ditados populares: “levanta e sacode a poeira”; “Bola para frente” entre tantos, essa é uma característica do povo brasileiro que devia ser explorada nas histórias em quadrinhos, não só os insucessos e nossos problemas com os políticos. Parece que algumas pessoas estão se acomodando e acreditando que o Brasil é assim mesmo e que a má qualidade da nossa política é algo normal, e que nunca conseguiremos mudar o nosso destino.

Vamos mudar essa mentalidade nem que isso comece nas histórias em quadrinhos, vamos conscientizar a nossa juventude de que somos um país vencedor e que não precisamos emigrar do Brasil para o exterior para termos sucesso lá fora como muitos talentos artísticos brasileiros fazem, a começar pelos desenhistas de quadrinhos que chegaram a mudar seus nomes de origem brasileira para serem aceitos por países estrangeiros que discriminam imigrantes  só explorando o seu trabalho artístico e depois os revendendo para o Brasil como se fossemos um país que não sabe valorizar os seus próprios filhos, os filhos dessa nação. Porque o Brasil só valoriza seus artistas depois que fazem sucesso no exterior?

Deveríamos acabar com esse tipo de postura que só prejudica nossa imagem, acho que até esse comportamento poderia ser estudado em nossa cultura; o da depreciação de seus cidadãos que são sempre colocados como artistas de segunda categoria reputando como “bons” apenas os que estudaram no exterior e que de alguma forma conseguiram ter sucesso fora de seu país de origem.

Foto: H.Ralf Lundgren

*Mauro Cesar Bandeira é professor, formado em Artes Plásticas, Habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.