Entrevista com Ziraldo no site “Amigos do Educar”

19/10/2009

Por Michelle Ramos.

O quadrinista Ziraldo, conhecido internacionalmente como o criador do Menino Maluquinho recentemente cedeu uma entrevista para o site “Amigos do Educar”; onde no mesmo a autor fala de sua infância, nos tempos da escola, a educação no Brasil, a tecnologia nas escolas e seu amor pela leitura. Dando assim dicas de leituras e conselhos para jovens e crianças, assim como comenta sobre alguns de seus trabalhos voltados para a educação infantil.

Ziraldo que em agosto estreou um programa televisivo de incentivo a leitura, o ABZ do Ziraldo, pela TV Brasil, diz que pretende incentivar a educação de qualidade para os estudantes que não tem condições mais elevadas financeiramente.

Para conferir a entrevista acesse o site “Amigos do Educar” clicando aqui.


6º Festival Internacional de Quadrinhos – BH

29/09/2009

Por Michelle Ramos.

O 6º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte já esta próximo, o FIQ terá inicio no dia 6 de Outubro e continuará até ao dia 12, trazendo oficinas, exposição, mesa redonda, bate papo, entrevistas, animação seção de cinema, Sessão de autógrafos, e diversos lançamento de revistas independes.

O festival, um dos mais prestigiados do Brasil, traz em sua programação vários artistas brasileiros e internacionais de grande importância no mercado de quadrinhos, este ano o Festival comemora o Ano da França no Brasil.

O festival acontecerá no Palácio das Artes e no Parque Municipal. Confira a programação completa no site do evento clicando aqui. A Entrada é gratuita.


Entrevista Exclusiva: Tiburcio

03/09/2009
Por Michelle Ramos, para o Zine Brasil.

Sabe aqueles ilustradores que conseguem fazer praticamente de tudo com um lápis e papel na mão? E tudo que você conhece do trabalho dele você gosta? E no final das contas você mentalmente diz: “Eu queria desenhar assim!”. Pois bem, foi essa a sensação que eu tive ao conhecer o trabalho do Niteroiense e ilustrador Marcelo Tiburcio Vanni, mais conhecido no meio artistico como Tiburcio. Apaixonada como eu sou pela ilustração, fiquei super animada em conhecer não apenas o trabalho deste artista, mas a pessoa também, muito gentil, profissional e paciente, nesse difícil meio artístico.

Nesta entrevista é possível “desvendar” um pouco do mundo desse ilustrador de mão cheia, conhecer um pouco de sua vida, suas opiniões, e dicas imperdíveis, aprendendo um pouco ou muito (você quem decide), com sua experiência na nona arte, tendo o mesmo já trabalhado para editoras como a Editora Ao Livro Técnico, Moderna -SP, Nona Arte – RJ, Formato – MG e Memórias Futuras – RJ e recentemente ilustrou o álbum do André Diniz, pela Franco Editora, o Ponha-se na Rua, divulgado aqui. Os trabalhos do Tiburcio ainda podem ser conferidos em seu site pessoal, blog e agora no twitter, são quadrinhos institucionais, tiras, charges e vários outros trabalhos, mostrando que o artista brasileiro não pode ficar reclamando, tem mesmo é que fazer sua parte!

Sem mais conversa, apresento-lhes Tiburcio!

Olá Tiburcio, primeiro obrigada por ceder esta entrevista; vamos ao que não pode faltar: como aconteceu teu envolvimento com quadrinhos?

Michelle, obrigado a você pela oportunidade. Eu hoje lido mais com quadrinhos do que no meu início de carreira, mas nem tanto assim!

Explico: Quando iniciei mesmo minha vida profissional, e isso foi nos anos 80, o fiz através de uma página dominical de quadrinho autoral, DROP´S em um suplemento infantil. Eu não tinha técnica nenhuma, desenhava com futura, era um trabalho de iniciante, mas, era trabalho, e era publicado todo domingo.

Fiz isso por alguns anos – e era uma grande curtição – até que um dia fui contratado pelo jornal onde esse suplemento era publicado como ilustrador, isso aos 18 anos. Pois bem, entre esse momento que foi até 1983 e o início de 2000 a minha relação com HQ não foi tão forte, era mais direcionada para a Ilustração. E assim foi por muito tempo. O retorno ao Quadrinho se tornou mais forte e inevitável em função das mudanças de cenário que o computador trouxe.

No teu site é notável o numero de trabalhos institucionais, promocionais e criações de mascotes, desde o inicio você seguiu essa linha de trabalho ou foi uma decisão que aconteceu no decorrer dos anos?

Bem, depois que inventaram o computador, Windows e os demais programas de edição de imagens houve uma mudança de cenário que fez com que alguns ilustradores mudassem de profissão e outros como eu, abrissem o leque para poder trabalhar. É mais pela necessidade de trabalho que tenho um leque tão grande. E é por não ter migrado para o 3D ou para o Desenho Animado que trabalho dessa forma, digamos, ampla e limitada ao mesmo tempo.

Você acredita que essa é uma área que garante mais trabalho para o artista nacional?

Acredito que o 3D e o desenho animado sejam áreas mais eficientes em termo de garantia de trabalho.  No meu caso – onde não trabalho com nenhuma dessas duas áreas – não vejo garantia, mas sim um foco que pode ser explorado: Eu gosto de inventar novos usos para o desenho, procurar situações específicas onde essa habilidade tenha mais valor ou mais necessidade, e necessidade que pode ser criada.

Exemplo: eu nunca me propus a fazer mascotes. Eles que me encontraram na internet em 2000, (uma vaquinha caipira para um forró em Manaus-AM) e percebi ali um nicho. Os quadrinhos também vieram atrás, e depois que conseguimos eleger um vereador com um gibi, passei a trabalhar mais a idéia do gibi como ferramenta promocional.

Mas é preciso que o artista tenha um trabalho de qualidade, que não entenda que porque é promocional ou institucional e já está pago não precisa caprichar, já que não vai em banca nem vai vender, pois todo gibi malfeito dá um motivo para um chefe de arte  desacreditar o quadrinista. Isso acontece porque não existe uma cultura do “Quadrinho é legal” na cabeça das pessoas, sempre há uma resistência que só pode ser vencida com a qualidade.

Como você tem visto os quadrinhos brasileiros atualmente? Qual sua opinião sobre as atuais produções?

Temos artistas maravilhosos. Muita gente cheia de talento, é só entrar nos blogs e constatar. Mas sinto falta de uma diversidade de caminhos para o Quadrinho Nacional. Para que possamos ter um dia uma escola brasileira de quadrinhos (como a escola belga) seria preciso que houvesse uma demanda para esse produto. Será que temos isso em quadrinho de entretenimento? Será que não podemos ampliar as possibilidades em termo de nichos de mercado? Será que não podemos trilhar caminhos mais caretas e menos apelativos em busca de um público maior e mais amplo?

Eu não sou um “expert” em quadrinhos, eu faço e vendo os meus, não tenho noções de mercado e, portanto falo muitas vezes tomando como referencia minhas experiências e vivências.

Ilustrei recentemente um Gibi do André Diniz, o Ponha-se na Rua. Depois fui ler o Chico Rei (também dele) e surpresa: Uma história boa, com humor e drama mas sem palavrão, não foi por acaso que o Ponha-se foi adotado pela Prefeitura de BH, é um gibi que explora aquilo que temos de bom e nem sabemos que temos.

Por isso que entendo que o quadrinho nacional é ainda um terreno inexplorado, com muitos caminhos a serem descobertos, mas isso depende do esforço individual do quadrinista em fazer o melhor seja qual fora o tipo de quadrinho, institucional ou de banca e livraria. Acredito que o público está querendo novas idéias.

O que você acha do gênero super herói brasileiro?

Eu gosto muito da Mulher Estupenda ( personagem do quadrinista JJ Marreiro). Mas não gosto muito de super-heróis em geral. Eu vejo a Mulher Estupenda por exemplo não como uma super-heroína standard,  mas como uma sátira ou melhor colocando, uma homenagem ao quadrinho de super-herói no seu início nos anos 30 e 40 onde as histórias eram mais ingênuas.

Gosto do Capitão Feio, mas ele também não se coloca como um super-herói clássico, mas como uma sátira.

O modelo do Super-herói é importado e por isso precisa sempre ser adaptado, para ficar coerente á nossa capacidade de pensar.

Soa coerente um Batman Americano fazer N coisas, mas se o mesmo Batman fosse brasileiro – sabemos o que é ser brasileiro, certo? e idealizamos o que é ser americano – muita coisa ficaria estranhíssima a começar pelos trajes quentes que usa. E a forma americana de se colocar.

Não consigo imaginar um brasileiro indo trocar de roupa para sair na rua e combater o crime. Esse cara não existe, se existir tem que ser internado, certo? É maluco. Um americano não é maluco, é um patriota. Prefiro nosso jeito de ser.

Muitos artistas comentam das dificuldades de se publicar material nacional, que os editores não apóiam; e que os artistas que “já venceram” não ajudam quem esta começando agora e etc; o que você pensa sobre isso?

Essa vai ser uma choradeira eterna dos artistas nacionais por que oras, sempre existirão caras que publicam e que não publicam, por esse ou aquele motivo.
Eu só publiquei quadrinhos na MAD. “Eu venci”?

Todos os demais trabalhos que fiz foram para Editoras de livros ou HQs Institucionais ou até para particulares. Eu não morri por causa disso, a MAD foi a oportunidade que tive e aproveitei. É certo que se um menino produzir um material e for tentar publicar simplesmente terá dificuldades porque todo começo é difícil. Mas essa carreira de artista é para quem está disposto! Quem não está, precisa compreender os próprios limites ou fundar sua própria editora.

Como um artista que já teve seus trabalhos publicados em editoras profissionais, quais dificuldades reais que você citaria para os quadrinistas que estão começando?

Quando um menino desses me pergunta sobre esse tema eu respondo imediatamente, “faça um blog e publique seu material”. Tem muito quadrinista que ESCONDE em casa seus trabalhos sei lá pra quê. Mostrem seus trabalhos, exponham!!! O que muito jovem quadrinista não sabe é um dia ele vai envelhecer e ficar mais cansado da briga, por isso é na juventude que o quadrinista tem que fazer seu fanzine, blog e tudo mais.

Em Xerox, sabe, quadrinhos podem ser entendidos e reproduzidos em xerox!!! Michelle por favor me diga outra linguagem visual que uma Xerox possa reproduzir sem deformar… me diga.

Ainda respondendo, as dificuldades mais sólidas aparecem quando o artista se depara com os seus limites e precisa optar entre ficar neles ou ultrapassá-los. Para fazer isso é preciso um esforço muito grande que, como disse agora mesmo, é na juventude que se pode transpor com melhor desenvoltura. Com menos estilo, mas com melhor desenvoltura. O estilo surge com o passar dos anos. Com muito estilo e pouca produtividade, melhor ser um designer, um artista plástico e fazer uma peça por vez. É que nos quadrinhos você desenha muito, e isso cansa. É preciso, portanto, ter muita disposição. Considero a disposição de desenhar a maior das dificuldades. E olha que eu gosto de desenhar…

Em termos de lançamentos, tanto de materiais consagrados como independente, você acredita que a possibilidade de baixar edições gratuitamente na internet prejudica as vendas de revistas? E Porque você acha que isso esta acontecendo?

Minha opinião, é que quando se baixa um quadrinho gratuitamente, e o autor concordou com isso, isso é problema do autor.

O que consideraria um erro seria eu escanear a Mônica e colocar online sem autorização do autor. Isso sim é ruim. Mas se o artista concorda, isso só diz respeito à ele que é o dono da obra. E ninguém tem de dar palpite ou esculachar um artista que se proponha a fazer diferente.

Se isso faz vender mais ou menos, isso eu não posso afirmar. Acredito na internet como um veículo que vai permitir que novos autores apareçam. E acho que os gibis vão continuar a vender também na banca e que os dois podem conviver lado a lado.

Falando de você, qual o tipo de quadrinho que você prefere estar produzindo?

Lancei agora no meu blog a webcomic “MEU MONARCA FAVORITO” que é uma sátira positiva á transição da Monarquia para a República. Nela o Rei é um herói solitário cheio de bons sentimentos prestes a ser derrubado pelos conspiradores republicanos. Essa webcomic pretende ter um humor reflexivo, para fazer o leitor pensar. Eu a classifico na categoria de ficção, mas é uma HQ de época. Adoro fazê-lo e creio que teremos muitas tiras pela frente se eu tiver o tempo vai ser semanal mesmo.

Mas o que eu tenho feito com maior constância mesmo são quadrinhos institucionais para empresas, coisa que eu gosto de fazer também, porque quando uma empresa aposta nessa linguagem ela o faz porque dá certo e é lucrativo para ela. E o melhor disso tudo é que em empreitadas desse tipo a gente exercita a linguagem, aprimora o traço e a forma de desenhar e escrever.

Eu gosto de fazer também cartilhas, pequenos gibis que explicam uma causa ou uma meta ao leitor. Um candidato a vereador de SP me procurou porque ele tinha o seguinte problema: Não tinha grandes recursos para a sua campanha e por ser candidato a vereador não tinha espaço na mídia televisiva ou de rádio, e precisava chegar a um eleitorado que não dispunha de internet, computador. Cito isso para explicar o contexto.

Fizemos um gibi, só que – sorte minha – ele pensou certo ( ou pensou bem) e em vez de gastar páginas e páginas com aquela ladainha eleitoreira, ele fez um Gibi orientando o eleitor a conseguir carteira assinada, casa própria, seguro desemprego. Fizemos um gibi relevante e útil que agora nesse momento pode estar ajudando a um eleitor que porventura venha a precisar desse tipo de informação que está lá no Gibi.

E o melhor é que o candidato foi eleito. Com o auxílio de um Gibi!

Realmente otima iniciativa a dele, Qual o tempo que você dedica de seu dia ao quadrinho de forma geral?

Outro dia produzi uma tira do Prevenildo sobre gripe suína e levei 4 horas para fazer. Mas não tenho tido tempo para projetos autorais de porte. Claro, o dilema é que o quadrinho autoral não é pago imediatamente, é preciso ter não só o tempo, mas o dinheiro para produzir algo. Do contrário você não consegue pagar suas contas e aí fica muito difícil. Se eu estivesse agora produzindo uma cartilha o numero de horas seriam maiores, com certeza. Por isso faço várias coisas, quadrinhos, ilustração, mascotes, caricatura etc…

Como sua família vê seu trabalho? Já sofreu algum preconceito por ser quadrinista?

Digamos que eu dei uma sorte danada – é que sorte não existe certo… – e tive na minha família uma ausência total de críticas á minha opção profissional e muitas sugestões e até influências como irmãos mais velhos fãs de quadrinhos que podiam comprar gibis bons de verdade que eu podia pegar emprestado para eu poder beber na fonte.
Curiosamente meus brothers nunca gostaram de super-heróis, então eu lia mais Disney, Maurício de Souza, Mortadelo e Salaminho, Tintim, Asterix, Spirit, O Gibi Semanal que saía pela Rio Gráfica, O Fradim do Henfil

Como ilustrador qual foi o momento mais feliz até hoje para você?

Eu não classificaria como Feliz (porque nunca ganhei um prêmio nenhuma glória estampada em jornal, etc), mas como um caso curioso e memorável:

Eu ilustrava para uma revista que o articulista era uma pessoa da área de Direito, e ele por ser importante no veículo tinha um bom numero de páginas, e como nem sempre ele escrevia para encher as páginas todas o diagramador jogava 6, 8 ilustrações espalhadas na matéria. Seria maravilhoso se o jurista não escrevesse usando termos técnicos de direito, citações em latim, etc. Eu recebia o texto, pegava um dicionário e dissecava o texto até entender do que se tratava. É que eu sou um ilustrador interpretativo que só ilustra quando compreende.

Pois bem, o texto desse articulista era realmente muito puxado e beirava o inacreditável. Mas eu dissecava e ilustrava, usava as metáforas mais variadas para expressar o sentido do texto. Por que a idéia em si era simples, complicada era a forma como era escrita.

Um dia cheguei lá na redação desse periódico e não vi ninguém, e perguntei a um rapaz que lá estava para onde havia ido à redação toda.
- Foram todos demitidos! – me respondeu.
- E o editor? – perguntei
-
Foi demitido também
-
Suponho então que eu fui demitido também, certo?perguntei
-
Não, Tiburcio, você não foi demitido.

- Porque?

E aí o menino me contou que a matéria do tal jurista tinha sido publicada com erros inimagináveis, donde se concluiu que ninguém havia lido o texto. A diretoria decidiu demitir todo mundo. O único que havia lido (pelo menos na lauda) era eu que podia provar pelas ilustrações que traduziam o sentido da matéria. Por isso fui poupado. :)

(risos) Essa foi boa! Em sua “caminhada quadrinistica” quais parceiros de Hq ou projetos te deixaram mais que satisfeito com o resultado e por que?

O Ota, o André Diniz e a Cláudia Manhães. O Ota por que até hoje foi o Editor mais honesto que conheci; o menos “enrolador”, o que me deu mais chances nesse universo de quadrinhos. Um sujeito assim, que quando soube que eu estava com aluguel atrasado deu um pulo e falou “Não, você não pode ficar assim” e foi no arquivo e me deu três matérias para eu ilustrar e pagar meu aluguel.  Também porque impediu muitas vezes de eu publicar material ruim que poderia prejudicar a mim ou á revista. Um editor consciente.

O André porque é um poço de paciência, e me propiciou desenhar o Ponha-se na Rua que me propiciou o maior direito autoral que já recebi até hoje. Insiramos aí também o Franco que editou o Gibi.
A Cláudia Manhães é jornalista e responsável pela inserção de uma tirinha institucional – O Prevenildo – que vai fazer uns 10 anos de publicação ininterrupta. Uma editora que preza quadrinhos e os sabe usar nos seus impressos. Editores com essa mentalidade é que ajudam o quadrinho nacional a sobreviver pois dão suporte aos desenhistas na forma de trabalho, suporte que o computador retirou de grande parcela dos ilustradores de antigamente.

Em cima dessas suas experiências, que dica você deixa na hora que se procura um parceiro na produção de uma HQ?

Esse tipo de parceria tem começo meio e fim. E não recomendo que se escolha pela amizade, mas pelo estilo de linguagem, pela afinidade de estilo. Se perde amigo por causa de roteiro inadequado, as pessoas são muito sensíveis a criticas e melhor saber de antemão que espécie de história se vai desenhar ou que espécie de desenho vai ilustrar seu roteiro.

HQ assim de parceria é igual apartamento alugado, alugou esquece. Ta pronto e fim. E não adianta ficar se remoendo, pensando que podia ficar melhor, etc. Muitas vezes aquilo que consideramos fraquinho, as pessoas podem achar genial. E aí é que o artista vê a força do conjunto, que nem sempre conseguimos vislumbrar na hora da concepção.

Esse espaço é seu deixe seu recado aos leitores do Zine Brasil:


Leitores do Zine Brasil, o quadrinho nacional para crescer e sobreviver precisa de diversificação e qualidade. E o Brasil tem desenhistas e roteiristas excelentes. Nós podemos fazer do quadrinho uma forma de mídia comunicativa, podemos fazê-lo comentando, sugerindo, blogando, publicando e para os que podem, comprando em banca e livraria os quadrinhos nacionais. Sua cidade tem jornal? Cobre do jornal uma página de quadrinhos, escreva! Os editores publicam o que os leitores querem ler. Manifestem-se a favor do nosso quadrinho e verão como a coisa muda para melhor.

E quadrinistas, deixem de picuiinha! Quadrinho não é pra quem gosta de reclamar não. Vão á luta. Montem seus blogs, façam a sua parte, mas sem esperar resultados astronômicos em semanas, isso raramente acontece. O artista só se faz em muitos anos de trabalho contínuo e outros só aparecem depois de maduros. E façam um blog com seu material, não escondam na gaveta. A gaveta enterra grandes talentos no Brasil.

Tiburcio, novamente eu agradeço a oportunidade de te entrevistar e de conhecer mais de você e de seu trabalho, espero que outras oportunidades como essa aconteça logo em breve, sucesso com os projetos!

Obrigado Michelle, sucesso ao Zine Brasil também!


Entrevista Exclusiva com Douglas Felix

25/04/2009

Criador do site Na Munheca e Projeto Invasor desenha para o mercado americano

Por Michelle Ramos.

 

Douglas Felix não é um artista que esta chegando agora, isso pode ter certeza, e também não é um rapaz que passa muito tempo sumido, sem novidades; já é conhecido no meio independente há um bom tempo pelo site Na Munheca, onde lançou diversas hqs, tanto curtas como em séries, também lançou trabalhos pelas revistas Contos Tristes, de Estevão Ribeiro e a Front; além de projetos virtuais como O Invasor, divulgado em primeira mão aqui; sem falar nas publicações da Jupiter II de José Salles, onde foi o capista e o ilustrador  de algumas edições de revistas como Tormenta, Raio Negro e Hu Quan.

 

Após um tempo sem falar com o artista nos encontramos novamente no MSN, onde ele nos contou como esta sendo a experiência de ser agenciado pelo Rascunho Studio, do Alzir Alves, e de como tem sido desenhar a personagem Virgin Wolf para o mercado americano de Quadrinhos pela Quality Quill. Entre tantas facetas o artista ainda é musico, então vamos deixar que ele solte sua voz.

 

Do que se trata o trabalho que você esta fazendo para a Virgen Comics?

Eu desenhando uma personagem que se chama Virgin Wolf, é de época, é sobre uma heroína caçadora de lobisomens, bem capa e espada.

 

Quanto você já desenhou desse trabalho?

São três edições, estou finalizando a ultima, eu desenho e finalizo.

 

Como aconteceu a oportunidade com a Editora?

Através da Rascunho, conheci o Alzir Alves, ele viu meu material, conversamos, e logo em seguida surgiu essa oportunidade e peguei. Ele (Alzir) agenciou todo o processo.

 

E o trabalho esta sendo remunerado de forma correta? é justo dizer que o Rascunho esta fazendo um bom trabalho de agenciamento de artista nacionais para o exterior?

Sim, graças a Deus, sim! Bom, da minha parte não tenho o que reclamar, eu recebo atenção da equipe, cuidados, dicas, sempre incentivando pra melhorar, e não estagnar… Estou bem satisfeito com o trabalho da Rascunho.

 

E como tem sido pra você fazer este trabalho, sabendo que já esta terminando a terceira edição?

Ah, cansativo e ao mesmo tempo muito legal, porque eu to na área que gosto, recebendo… O início de um sonho sendo realizado!

 

Após terminar esse trabalho você já vai fazer outro?ou ainda é algo em estudo junto ao Rascunho?

Bom, isso só Deus sabe… (risos). Eu espero que já apareçam novas oportunidades, o Alzir já deve estar procurando pra mim… Eu fico tranquilo porque fico só focado no trabalho, e sei que ele ta la correndo atrás de novos clientes pra mim estou no final da ultima edição, não reclamaria de emendar em outro trabalho… (risos).

 

Que bom! Quais as dificuldades que podem ser sentidas ao trabalhar para o exterior? Você já tinha trabalho antes ou foi a primeira vez?

É a primeira vez; bom, a cobrança parece aumentar. Por ser meu primeiro trabalho lá fora, a necessidade de deixar uma boa impressão é muito grande, exige muito estudo, crises e neuras… (risos). Tudo para não ficar pra trás, ou ser só mais um no mercado.

 

Você recebe comentários do editor americano? Tem contato com o roteirista envolvido no projeto?

Não diretamente… Recebo tudo através do agente. Meu agente filtra a informação, e me passa a modificação quando necessário, ou os elogios quando feitos.

 

Muito bom, e o que vc diria aos artistas que já tem um estilo proprio e ainda não são agenciados ou não tiveram a oportunidade de desenhar pra editoras estrangeiras?

Bom, se tem o desejo de trabalhar no mercado americano, eu aconselho continuar estudando, e procurar alguma agencia para que possa representá-lo…

 

E falando sobre seus trabalhos pessoais, o Na Munheca e o Invasor, veremos algo em breve?

Bom, infelizmente dei uma parada forçada. Se eu for voltar com algo, que tenho que voltar, vai ser com o Na Munheca, quero separar tempo pra desenhar algumas HQs curtas, e colocar lá, que era a ideia inicial do site… O Invasor esta parado; por enquanto, vou pensar em como farei com ele… Mas ele não ficará pra sempre engavetado não!

 

Então logo em breve teremos novidades!

Espero que sim!

 

Douglas, novamente eu te agradeço o Bate Papo, como sempre você tem boas novidades quando aparece! (risos)

Que bom! Que continue assim! Eu que agradeço Michelle.

 


Desenhista brasileiro indicado ao Oscar dos HQs nos EUA

10/04/2009

Por Maria Carolina Maia

 

O Brasil vai concorrer de novo ao Eisner Awards, o mais importante prêmio dos quadrinhos americano. E de novo com o paulista Gabriel Bá, desta vez o único quadrinista nacional a disputar o chamado “Oscar das HQs”. No ano passado, Gabriel Bá e o irmão gêmeo, Fábio Moon, conquistaram três troféus na San Diego Comic-Con, a convenção do segmento em que é celebrada a premiação: de melhor série limitada (por The Umbrella Academy, uma parceria de Bá com o roqueiro Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance), de melhor HQ digital (por Sugar Shock, de Moon com Joss Whedon) e de melhor antologia (pela revista 5, que ainda consagrou o também brasileiro Rafael Grampá e os americanos Becky Cloonan e Vasilis Lolos).

 

Neste ano, Bá disputa três categorias do prêmio, que será entregue em 24 de julho: melhor capista (tanto por Umbrella Academy como por Casanova), melhor desenhista (Umbrella Academy) e melhor álbum gráfico – republicação (Umbrella Academy: Apocalypse Suíte). Confira a lista completa de indicações no site da premiação. Umbrella Academy é composta de dois números – cada número da série tem seis histórias e o primeiro, que venceu o Eisner no ano passado, é de 2007.

Fábio é convidado oficial do evento, onde vai dar palestra. Premiados com o Jabuti 2008 pela adaptação em quadrinhos de O Alienista, conto de Machado de Assis, e convidados a discutir quadrinhos numa mesa específica da Festa Literária Internacional de Parati (Flip) deste ano, os irmãos gêmeos vivem o melhor momento da carreira.

 

Abaixo um bate-papo com Gabriel Bá.

 

VEJA.com – Além do Eisner, em 2008 a série The Umbrella Academy levou os prêmios Harvey e Scream Awards. Depois de tantas conquistas, a nova indicação ainda surpreende?


Bá –
Ah, a indicação me surpreendeu, sim, eu nunca espero que aconteça. Mas acredito que desta vez eu não levo. Como desenhista, vou concorrer com Guy Davis, que é muito bom. E, como capista, disputo com o James Jean, o grande campeão dos últimos anos.

 

Mas o Umbrella aparece quatro vezes na lista de indicados ao Eisner 2009, uma delas até com o James Jean, que você citou e que ilustrou uma capa da série. Esse reconhecimento mostra o potencial da obra. Como foi trabalhar com Gerard Way?

 

Acho que essas são as melhores páginas que eu já fiz. Mas, também, foi um trabalho que exigiu muito de mim, porque era preciso todo um esforço para entender o que o Gerard queria dizer. A parceria com o meu irmão é um pouco diferente, nós temos um vocabulário comum, é mais fácil. Já com o Gerard, é preciso sempre reinterpretar o texto que ele me passa. Eu tenho que entrar na cabeça dele e deixar que ele entre na minha. Mas existe diálogo, ele recebe numa boa as minhas colocações. Se eu acho que alguma coisa não funciona ou não está clara, eu proponho mudanças. Ele pode discordar ou sugerir uma terceira coisa. Vence quem tem o melhor argumento.


A série conta a história de crianças adotadas por um homem que queria fazer delas super-herois, e explora as relações possíveis entre esses personagens. Ela já foi comparada ao universo X-Men?

 

O Grant Morrison, o escritor escocês de quadrinhos, disse que o Umbrella são os “X-Men for the cool people” [“X-Men para gente bacana”]. Dá mesmo para comparar. Os personagens do Umbrella seguem um pouco o estereótipo dos super-herois. O líder tem um quê de Super-Homem, por exemplo, e há um personagem que lembra o Batman, porque é mais sombrio e descontente com o mundo. São pessoas na faixa dos 30 anos, com poderes especiais e crises humanas – nesta segunda fase, há personagens deslumbrados com o sucesso como super-heroi e há o vazio existencial do líder.


Está mais fácil fazer quadrinhos no Brasil, hoje?


Não é fácil fazer quadrinhos no Brasil. Mas as pessoas estão começando a descobrir e a acreditar que o esforço vale a pena. Tem muita gente investindo em narrativas longas, que não são da tradição brasileira, composta de tirinhas e de pequenas histórias de humor. Temos uma nova safra de artistas, gente que não trabalha com humor e que leva mais a sério a profissão. Os artistas estão cheios de vontade, produzindo, e o aumento da produção é essencial para um aumento da qualidade. O profissionalismo só vem assim. Um autor só melhora quando produz, produz, produz. Em vez de termos muitos autores, é melhor termos autores que produzam muito.

 

E a visibilidade da produção nacional no exterior, você acredita que tenha aumentado com os prêmios e indicações conquistados?


Na verdade, acho que não fez muita diferença. Lá fora, dão mais importância para o trabalho do que para a origem do artista. Se o Brasil tivesse um volume de artistas com projetos que chamassem a atenção, seria diferente. Como eu e o Fábio trabalhamos em projetos mais pessoais, acho que chamamos atenção para nós. Esse é um caminho mais arriscado e longo, é fato, mas era o que queríamos fazer. Trabalhar no mercado de super-herois é um pouco mais fácil. Se você for bom e entregar os trabalhos no prazo, vão continuar te chamando. Mas aí você é mais uma peça da máquina.

 

Quais são os próximos projetos?


Eu terminei a sexta e última história da segunda fase do Umbrella. Além disso, eu e o Fábio estamos desenhando uma minissérie chamada 1947, que é do universo do personagem Hellboy, de autoria do Mike Mignola. E estamos escrevendo e desenhando juntos uma série nossa para o Vertigo, o selo adulto da DC Comics. Se chama Day Tripper, como a música dos Beatles, se passa no Brasil e é sobre um cara que quer ser escritor, mas trabalha num jornal, escrevendo obituários. É uma história cotidiana, como nos livros dos 10 Pãezinhos. E é tudo o que eu posso contar agora.

 

Fonte: Veja.com

Dica: Mauro Cesar Bandeira


Entrevista Exclusiva com o escritor Rynaldo Papoy

18/03/2009

Com uma Prévia da HQ “O Sétimo Beijo na Boca”

Por Michelle Ramos

 

Conheci o escritor Rynaldo Papoy através de seu blog Noite, divulgado aqui, mas que recentemente foi desativado pelo autor, que esta se dedicando aos seus outros dois blogs que existem na rede, e aos seus projetos atuais como a HQ que esta produzindo em parceria com o desenhista Gilberto Ribeiro Queiroz.

 

Com exclusividade o Zine Brasil recebeu seis paginas desse novo projeto (cinco ainda sem arte final), a história, intitulada O Sétimo Beijo na Boca” tem o roteiro (de Papoy) inspirado no filme “O Sétimo Selo“, de Ingmar Bergman, grande cineasta sueco, que faleceu em 2007, ultrapassando o numero de 50 filmes, na sua maioria com temas existencialistas. Mas nossa entrevista não fica apenas nisso, novos projetos do escritor são revelados e comentados durante a entrevista, então confira e não deixe de conhecer mais do trabalho desse escritor independente acessando seu blog pessoal aqui e seu blog de contos aqui.

 

Quando começou seu interesse pela literatura?

 

Olá, Michelle, muito obrigado pela entrevista, é uma grande honra para mim. Em primeiro lugar, é preciso dizer que nos anos 70, quando criança, lia-se muito mais do que hoje. Minha mãe estava sempre com um livro debaixo do braço e meu pai me dava vários livros de presente, geralmente de astronomia ou sobre extraterrestres e alguma ficção científica. Antes mesmo de aprender a ler, minha mãe lia para nós as historinhas da Turma da Mônica, entre outras, até que eu mesmo comecei a formar minha coleção. Mas meu contato mais agudo com a literatura começou por volta dos 11 ou 12 anos, quando a escola em que eu estudava passou a adotar os livros da série “Vaga-Lume”. Eu li vários. A partir daí, a literatura tornou-se essencial em minha vida.

 

Quando começou a escrever e qual foi seu primeiro conto?

 

Eu comecei a escrever por culpa do cinema e séries de tv, mais especificamente a ficção científica. Eu ficava rascunhando histórias que imaginava transformar em filmes ou algo parecido. Mas curiosamente eu me vi escrevendo poesia, na adolescência, inspirado pelas aulas de literatura do antigo segundo grau. Meu primeiro conto digno de nota que escrevi foi aos 18 anos, “Reprodução”, uma ficção científica que reescrevi aos 29 anos.

 

Quantos contos você já escreveu? Já publicou alguma de suas historias em livros ou revistas?

 

Não faço ideia de quantos contos escrevi até hoje. Mais de cinquenta, talvez. Já publiquei dois livros independentes: um de poesia, em 1993 e uma peça de teatro, em 2003. Mas tive contos publicados em inúmeros fanzines e revistas. Quem mais me publicou até hoje foi o zine “Juvenatrix”, do Renato Rosatti. Para 2009, pretendo continuar tentando publicar meu primeiro livro de contos de ficção científica, chamado “Metadimensão”.

 

Todas as suas historias realmente aconteceram na noite com você ou também são fatos que você viu com outras pessoas?

 

Com relação ao blog “Noite”, eu preciso informar que retirei do ar, por dois motivos: primeiro eu temi a reação da minha filha ao lê-lo, já que eu desço a lenha na mãe dela o tempo todo, chegando a chamá-la de louca. Eu odiava quando meu pai falava mal da minha mãe ou minha mãe criticava meu pai. Em segundo lugar, apesar de ter mudado todos os nomes, muita gente vai se identificar ou vai ser identificada. Vou esperar alguns anos até publicá-lo novamente, com algumas alterações. Mesmo assim, eu costumo mandar o arquivo completo por e-mail para todos que me pedem. Quem quiser ler, basta requerer no papoy3@gmail.com. De fato, todas as histórias foram vividas ou testemunhadas por mim. Só não escrevi as histórias que “ouvi falar”, por não poder comprová-las.

 

Como tem sido a receptividade dos leitores do blog Noite?

 

Sempre foi extraordinária. Quando tirei o blog do ar, muita gente reclamou, mas eu encaminhei a íntegra do livro para eles. Eu chego a achar que foi meu trabalho mais elogiado até hoje.

 

O que te motivou a escrever para uma historia em Quadrinhos, como a “O Sétimo Beijo na Boca”?

 

Minha grande frustração é não saber desenhar, portanto eu sempre procurei alguém para desenhar minhas histórias. Cheguei a frequentar alguns “clubes”, como a livraria da Devir, em busca de desenhistas, sem sucesso. No entanto, eu conheci um desenhista, em 1990, que procurava um roteirista, mas ele não gostou das minhas histórias. Meus primeiros personagens propriamente criados para HQ surgem em 1998, quando eu estava com 27 anos. Uma super-heroína chamada “Dois Olhos”, que é uma ex-santa banida do céu por ser muito rebelde e anarquista. E uma dupla de irmãos gêmeos psicopatas, os irmãos Fujiyama. “O Sétimo Beijo na Boca” comecei a escrever como roteiro de cinema. Até que Gilberto Ribeiro Queiroz, que eu já conhecia há anos, me perguntou se eu não estaria interessado em escrever para quadrinhos. Eu mandei o roteiro do “Sétimo Beijo na Boca” para ele, que pirou na história e começou a desenhar. Agora já tenho mais dois projetos para HQ. “Batalha de Heróis” [título provisório], em que Ultraman, Ultraseven, Spetreman, National Kid, todos estes heróis japoneses, travam uma guerra entre si. E “Babilônia”, projeto bastante ambicioso em que pretendo contar os dois mil e quinhentos anos de história da Babilônia, sob o ponto de vista do deus Marduk.

 

Muito interessante; Qual sua expectativa com relação a esse novo projeto?

 

Sinceramente, não sei. Espero que tenha distribuição comercial, mas podemos publicar de maneira independente também ou mesmo na internet. E sou amigo de longa data do José Salles, da Júpiter II. Ele publicaria nossa HQ, com certeza.

 

Nos fale sobre a inspiração sobre O Sétimo Selo“, de Ingmar Bergman para sua HQ:

 

Surgiu quando eu tentei assistir ao “Sétimo Selo”. Achei a maior besteira e decidi fazer uma sátira, já que é um filme e um diretor muito cultuados. Esculhambar com celebridades é delicioso.

 

Como tem sido trabalhar com outro artista, o Gilberto Ribeiro Queiroz coisa comum nos quadrinhos, mas pouco usual na literatura?

 

Tem sido sensacional, porque Gilberto é um tremendo profissional e tem um traço de expert. Gilberto é um cara com um futuro brilhante e espero que desenvolvamos grandes parcerias. Sem falar que sempre foi um ótimo amigo. Com relação à parte criativa, ele me dá liberdade total para escrever o que eu quiser, embora eu não faça esta exigência.

 

Fale-nos um pouco desse projeto: Quantas páginas terá, onde será publicado e etc.

 

Meu roteiro tem umas quinze páginas. Acho que vai virar uma grafic novel com umas quarenta e cinco ou cinquenta páginas. Nossa preocupação inicial é completar o trabalho, depois pensaremos na publicação, mas eu espero que seja por uma grande editora. Mas, como eu disse, se não acontecer de publicar por uma Vertigo ou Panini, não tem problema, publicaremos de uma maneira ou de outra.

 

Qual sua opinião sobre o mercado literário no Brasil? Ele tem aberto as portas para os novos escritores?

 

Não, muito pelo contrário. As editoras não estão aceitando novos autores e nem agentes literários existem. É extremamente difícil publicar um livro por uma grande editora, mas tenho notícias de que editoras independentes estão penetrando nas grandes livrarias de shopping. E isto é muito bom, pois já acontecia com a música independente, antes do advento dos sites de compartilhamento, quando todo mundo parou de comprar cds. Havendo uma boa penetração das editoras independentes nas livrarias de shoppings, restará aos autores criar histórias interessantes o suficiente para gerar um público leitor.

 

O que poderemos esperar dos projetos de Rynaldo Papoy futuramente?

 

Eu “deixo a vida me levar”, como diz o Zeca Pagodinho. Posso falar com relação a minha parte criativa: eu tenho verificado uma mudança profunda no meu estilo de escrever, substituindo a estética fúnebre e pessimista, por mais ironia, humor e crítica, como se pode verificar nos contos que escrevo para o blog “Bastardos do Velho Safado“, criado pelo meu amigo “Mão Branca”. Mas a prioridade é “desovar” o que já escrevi até hoje.

 

Qual o último livro que você leu, e recomenda? Cite os seus preferidos:

 

Eu estou sempre com vários livros para ler. Estou lendo, ao mesmo tempo, “Em Busca do Tempo Perdido”, do Proust, que me fez ter vontade de jogar fora todos os livros brasileiros que li até hoje, porque todo mundo pareceu querer imitar o Proust, no século 20, no Brasil. Estou lendo histórias do Stephen King que ainda não havia lido. Descobri que ele publicou muito mais livros que eu imaginava. E sempre leio livros de Julio Verne e HG Wells. E é o que quero recomendar: o melhor livro que li nos últimos anos foi “Guerra dos Mundos”, do HG Wells. Wells era extraordinário. Ele já falava em relatividade antes do Einstein! E o livro não tem nada a ver com os filmes. Eu não tenho medo de dizer que HG Wells foi um dos inventores do romance moderno, junto com Dostoievski. Ele não apenas foi o melhor autor de ficção científica da história, como um dos melhores escritores de todos os tempos, independente do gênero.

 

Tem o costume de ler historias em quadrinhos? Quais? O que achou desse material?

 

Adoro histórias em quadrinhos. Como disse minha mãe já lia para mim, quando eu ainda não havia aprendido a ler. Meu personagem favorito é o Batman. Pirei com o filme “Cavaleiro das Trevas”, é o melhor filme do Batman feito até hoje, incluindo a série de tv antiga, que era muito legal também. Na adolescência, eu também lia “Cripta”, “Calafrio”, estas revistas de terror. E colecionava “Chiclete com Banana”. E sou fã absoluto do Laerte. O cara é completamente louco.

 

O que motiva você a escrever?

 

Aos 38 anos, depois de 25 anos escrevendo, tendo sido ignorado pelas editoras, devo confessar que hoje só escrevo “por encomenda”. Mão Branca me convidou a escrever para o blog dele e estou escrevendo. E meu amigo João Carlos Faria, que é um agitador cultural de São José dos Campos, me pediu um roteiro de filme. Escrevi um, chamado “Melões da Namíbia”, uma comédia super ácida, seguindo meu atual estilo. Vamos filmar em breve.

 

Qual sua dica pra quem ainda não começou a colocar as idéias no papel, mas ta morrendo de vontade?

 

Para escrever, é preciso ser louco. Não escreva algo em busca de aplausos, escreva algo que você acha que vai provocar vergonha nos seus pais.

 

O espaço é seu Rynaldo, Deixe seu recado, fale com o leitor; e Obrigada por essa entrevista, ótimo conhecer seus trabalhos, todo sucesso para você e seus projetos.

 

Estamos aí para o que der e vier. Sou um cara muito acessível e jamais deixo de responder qualquer e-mail. Estou aberto para novas colaborações. Acho que o Gilberto não vai ficar com ciúmes… rsrsrs…

Fiquei muito feliz em dar esta entrevista e aguardarei os comentários! Grande abraço a todos e parabéns pelo seu trabalho extraordinário, Michelle.


ZB Entrevista e Preview Exclusivo: Nestablo Ramos Neto.

07/02/2009

Por Michelle Ramos.

O entrevistado da vez é um cara super gente fina, dedicado ao seu trabalho, e a causas sociais; sempre disposto a fazer sua parte como se diz; conheci o trabalho dele ainda na Revista Grafic Talents, com seus obscuros personagens, os carcereiros; entrei em contato por e-mail para conhecer mais dele e de seus trabalhos e logo depois disso nos tornamos amigos via Internet (risos).

 

Sempre gosta de se envolver em campanhas que abordem temas de interesse e preocupação de todos, lembro do empenho dele na Campanha “Pedofilia Não” que colaborei com grande carinho; sendo esta campanha muito divulgada em vários sites de informações; depois disso, seu carinho pelos animais que já era evidente naquela época, tomou mais força, e não foi muita surpresa quando ele me contou essa historia ainda em off; mostrando com sua arte,e com sua visão critica, que com toda certeza essa HQ vai chamar muita atenção, não apenas no meio independente, mas muito longe do que se pode imaginar.

 

Um cara que publicada as HQs de seu personagem ZEN, na Revista Cultural Tablado em Brasília; e que tem como um de seus objetivos o de passar boas historias para seus leitores; não boa no sentido de final feliz, mas boa para seu crescimento como pessoa neste mundo. Seu nome é Nestablo Ramos Neto.

 

Podemos dizer que Zoo é o álbum que estará lançando você ao mercado profissional de quadrinhos?

Acho que como trabalho grande, ou grande publicação sim. Já fiz outras coisas para o mercado independente e coisas menores para outras editoras, mas eu diria que grande como Zoo não. Este é o primeiro!

 

E como você esta sentindo este momento? Ver seu trabalho prestes a ser publicado pela HQ Maniacs, num momento onde tantas editoras fecham as portas?

Me sinto privilegiado! No meio de tanta coisa acontecendo, a HQM está investindo em materiais de qualidade, não falo do meu, mas sim de outros do acervo deles, é só abrir o site e conferir… Enquanto tem as grandes que atiram para todo lado, tem a HQM que atenta para a qualidade e não só quantidade. É louvável o trabalho deles e o respeito com que tratam suas publicações, todas como igual!

 

E o que o leitor das obras de Nestablo Ramos Neto pode esperar de Zoo?

Uma Homenagem ao mundo animal, minha forma de falar sobre meu caso de amor à natureza e aos animais… Respeito, sinceridade e um pedido de ajuda a todos que queiram ajudar a preservar o que o homem mata sem pensar.

 

Como foi e como tem sido a opinião dos leitores que já conhecem um pouco do seu trabalho em Zoo?

As pessoas ainda estão naquela expectativa. Eu tento não falar muito sobre a história além do que já mencionei anteriormente, então a coisa toda gira em torno do diferencial do material é o que mais impressiona as pessoas, a idéia. É no que resolvi apostar e sempre considero antes de trabalhar com qualquer coisa: o diferencial.

 

Você concorda que o diferencial é o que falta nos quadrinhos nacionais atualmente?

Sim. O que adianta lançar tantas coisas, mas são todas iguais? Precisa passar alguma coisa ao leitor, algo que seja mais do que meia hora de entretenimento. Mostrar que o quadrinho, como forma de comunicação, são bem aproveitado e bem desenvolvido. Acho que é nisso que temos de pensar.

 

Como quadrinista é o teu desejo? Usar sua arte como um instrumento de edificação na vida das pessoas?

Não vejo satisfação maior! Se os profissionais se voltarem para o diferencial que seu trabalho pode fazer na vida das pessoas e não para seu ego, as possibilidades são inúmeras.

 

Concordo plenamente! Em Zoo, por exemplo, existem algumas cenas que chocarão os leitores? Que eles poderão dizer, “nossa, nós fazemos tal brutalidade com os animais?”

Sim, isso é uma coisa difícil de dizer, pois cada um é tocado de uma forma diferente, mas eu tentei passar ao máximo alguns casos… Outros, por serem mais específicos, e fortes demais, precisei deixar de fora desta edição para ver como posso retratar em uma próxima. Mas creio que sim, as pessoas se identificarão com algumas coisas.

 

Você é um verdadeiro batalhador pela liberdade, respeito e carinho com os animais, isso se vê nas hqs do Zen também, como aconteceu essa identificação e preocupação tão grande com os nossos bichinhos? Ainda na infância ou depois de adulto?

Gostaria que fosse desde criança, mas não foi. Já um adulto me preocupava com isso, mas quando consegui espaços em mídias como a revista Tablado, onde publico a Zona Zen, pude tornar essa missão mais forte. Quando vi aquela famosa modelo, Gisele Bundchen desfilando com peles de animais; achei que já era hora de criar mais histórias sobre isso. Os animais são tão carentes de ajuda; que além de um dever, é um prazer enorme poder fazer algo por eles. Depois disso parece que os caminhos se abrem para você, se suas intenções são verdadeiras e puras.

 

Zen também é um personagem que retrata sua preocupação pelo cotidiano, pela vida humana e seus problemas como um todo, logo teremos o prazer de vê um álbum especial dele também?

Olha, tudo indica que sim, ainda estou vendo com a editora, acertando alguns detalhes. Se tudo correr bem, acho que logo vamos poder conferir uma coletânea da Zona Zen nas livrarias.

 

De carcereiros, lançado pela grafic talents até Zoo, o que mudou na sua forma de ver, fazer e ler quadrinhos?

Eu aprendi a apurar mais meu gosto e ser mais seletivo. Aprendi a gostar de coisas que não prestava muita atenção e coisas que costumava prestar, não dei mais tanta atenção assim… Acho que todo leitor deveria fazer isso, dar uma chance a coisas novas, quadrinhos novos e diferentes. Eles podem nos surpreender!

 

O que você esta lendo atualmente?

Fábulas, Asterix, J Kendall aventuras de uma criminóloga e Senninha.

 

Quais projetos nós poderemos esperar de você agora em 2009 além de Zoo?

Ainda não posso falar sobre alguns, mas quero ver se faço outra aventura ambientada no universo dos Carcereiros. Já faz um tempo que me cobram isso e quero ver se faço. Já tenho a história, mas ainda estou naquela fase das pesquisas e criação do roteiro, vai demorar mais um pouco, mas tá na lista.

 

Vamos aguardar então! Neto, eu quero a agradecer sua atenção e apoio ao Zine Brasil nessa entrevista mais uma vez, aproveitar para desejar todo sucesso a vc e seus projetos; e também deixar este espaço para que você fale com o leitor, fique a vontade:

Eu só tenho a agradecer a você que sempre abre esse espaço aqui para divulgar meu trabalho e tão incansavelmente luta pelos quadrinhos Brasileiros! Aos leitores: apostem mais na gente, não precisa deixar de ler os de fora, apenas dar uma chance aos daqui. Vocês pediram mais quadrinhos nacionais, pois bem, eles estão aqui, aproveitem e respeitem! Abração e valeuzão!!!

 

Paginas pessoais do artista na internet:

http://www.projetozoo.blogspot.com/

http://www.zonazen01.blogspot.com/

http://www.nestablo.blogspot.com/

 


Boca do Inferno no Programa Qzona‏

28/01/2009

Por Michelle Ramos. (sobre release)

 

Marcelo Milici e João Pires Neto, membros da equipe do site de Horror “Boca do Inferno.Com“, foram entrevistados pelo programa do site “QZona


Na ocasião foram gravados dois especiais com o “Boca do Inferno”. O primeiro está no ar desde as 21h00min horas do dia
26/01/09, onde o tema abordado foi à história do site, os colaboradores, e quadrinhos.


No próximo dia
02/02/09, (segunda feira) o tema do programa ficará centrado nos filmes, onde os entrevistados falaram da história do horror no cinema, produções clássicas e recentes.

Os responsáveis pelo “QZona“, Allan Petrillo e Henrique Gordilho, farão também a cobertura do lançamento da revista em quadrinhos “Boca do Inferno.Com” número 3, que acontecerá no dia 07/02/09, Sábado, 19:30 horas, na Livraria “HQ Mix” (Praça Roosevelt 142, Centro, São Paulo/SP), e entrevistarão os infernautas que forem adquirir seu exemplar.

 

Em tempo, ainda foi criada uma promoção, a Promoção “Boca e Qzona“; para participar é só entrar no site www.qzona.com. br, e enviar seu conto de terror, os selecionados concorrerão a exemplares da Revista Boca do Inferno #3, além da possibilidade de ser entrevistado pela galera do “Qzona”.

 

Conheça o trabalho da equipe Boca do Inferno acessando o site aqui.


Entrevista com Edgar Franco no Blog Toka di Rato

06/12/2008

Por Michelle Ramos

 

O blog Toka di Rato, do jornalista Matheus Moura, que recentemente lançou a Revista Caminõ di Rato, divulgada no Zine Brasil aqui; acaba de publicar uma entrevista como o quadrinista e compositor Edgar Franco, autor do livro Hqtrônicas (histórias em quadrinhos eletrônicas: Do Suporte Papel à Rede Internet e da revista Artlectos e Pós-Humanos, da Editora Júpiter II.

 

Durante a entrevista, o Edgar fala de sua trajetória como quadrinista, escritor e compositor; comenta sua ida para a Editora Marca de Fantasia e quais suas expectativas para projetos futuros, vale a pena conferir!

 

Clique aqui para ler a entrevista.


BATE PAPO COM EMIR RIBEIRO

24/09/2008

Por Michelle Ramos.

 

No dia 27 de agosto divulgamos o lançamento do encontro dos personagens Velta & Raio Negro; porém no dia 08/09 o quadrinista Emir Ribeiro, criador da Velta, chegou a afirmar em seu fotolog que estava desistindo do projeto, e novamente muitos blog e flogs começaram a divulgar a desistência do artista em continuar com o trabalho; com comentários que iam de tristeza a criticas desnecessárias; eu, porém fiquei aqui quietinha e resolvi escrever para o Emir, para confirmar essas informações, que depois de poucos dias, exatamente no dia 13 deste mês, as mudanças com relação ao projeto já estavam aparecendo, de forma que conversamos via “Google talk” para definir as novidades relacionadas à sua personagem e ao Projeto Velta & Raio Negro, que finalmente tem tudo para sair pela editora Júpiter II de José Salles; agora é curtir essa entrevista e torcer pra dar tudo certo!

 

Olá Emir, Eu li teu e-mail e achei muito legal saber dos novos rumos para a Velta e o Raio, mas fiquei triste em saber da morte do Gedeone, como ficou essa historia toda agora?

Olá Michelle; Bem, o Salles garantiu que tinha autorização e o apoio da família do Gedeone. Nesse caso, prossegui o trabalho.

 

Ótimo, então tudo esta indo bem?

Parece que sim. Estou dando andamento. Também estou fazendo uma HQ de Velta solicitada pela turma da “Tempestade Cerebral”

 

Você mesmo vai escrever e desenhar?

Sim. O Leonardo Santana havia se comprometido a fazer o roteiro, mas depois teve uns problemas e só poderia prosseguir no fim do ano. Mas eu queria fazer mais rápido, e por isso iniciei um roteiro meu. Mas como agora a pressa acabou, poderia esperar o roteiro do Leonardo. Mas como já fiz quatro páginas com o meu roteiro, não tem como jogar fora o que já está feito para começar outro (de novo).

Para a Tempestade, estou usando uma história escrita pelo Rod Gonzalez.

 

É certo mesmo o encontro sair agora pela JúpiterII ?

O Salles garantiu que sim.

 

Tem idéia de quando poderemos conferir a edição?

Não. Ainda estou na página 5. Deverão ser 30 páginas. Devo terminar até o final do ano. Mas é só uma previsão.

 

E vai divulgar uma prévia das imagens internas antes do lançamento?

Já fiz uma prévia da 1ª página: http://fotolog.terra.com.br/hqpb:239  Mas, Eu acho que é bom divulgar outras, futuramente.

 

Como foi pra você saber da Morte do Gedeone? Sabemos que ele aprovou a revista, como foi à reação dele ao conhecer do que se tratava a hq?

Eu me correspondia com ele há mais de 25 anos. É sempre um choque saber, mesmo já tendo ciência que a saúde dele estava se agravando.

A idéia de juntar Velta com o Raio negro já é antiga. Conversamos pessoalmente sobre isso, quando ele veio me visitar em 1989. Eu até comecei a desenhar uma releitura da origem do Raio Negro, mas parei na página 8. Os atropelos da vida impediram que o projeto andasse. Em 2002, tentei impulsionar de novo, mas outros trabalhos se apresentaram. Mas, no fim do ano passado, decidi que não dava para esperar mais. Consultei o Gedeone, e foi quando ele disse que “se tivesse briga entre os dois, que eu não fizesse o RN apanhar muito”

Claro que sempre esteve longe dos meus planos fazer briguinha entre eles. Depois, eu pedi a autorização por escrito, e foi quando ele me mandou a última carta, em maio de 2008 (a que saiu no meu fotologue: http://fotolog.terra.com.br/hqpb:242

 

E sobre a Velta, quais teu planos com relação a personagem? Mais encontros com heróis clássicos, ou buscar firmar a identidade da personagem com bons roteiros sejam seus ou de outros?

Emir: O que se apresentar para o momento. Mas, primeiramente, pretendo desaguar o material que já tem pronto e/ou em andamento. Depois disso, dou uma pausa nela e vou trabalhar mais na Nova.

Inclusive já tem um roteiro nas mãos do Seabra, para ele fazer o lápis e eu, a arte-final. Mas está na dependência do tempo dele (e, além disso, ainda há o material de gaveta da Velta, para ser impresso antes).

 

Quantas histórias da personagem existem praticamente prontas que estaremos conferindo em breve?

Emir: Tem uma antiga de 2002, que eu fiz para a Escala, mas que não chegou a ser publicada. É uma releitura mais detalhada do primeiro caso da Velta. Portanto, é fora da cronologia atual. E em andamento tem a da série “realidade alternativa”, onde Velta aparece nos anos 30 do século XX. Seriam apenas essas duas. As outras que vc já sabe, são a da Tempestade Cerebral, e esse encontro com o Raio Negro.

O que vier depois daí está na dependência da oportunidade e das contingências do momento.

 

A participação do Leonardo Santana é uma aposta sua nos novos roteiristas nacionais?

Ele evoluiu bastante desde os tempos do início da Brado Retumbante. Por isso achei que poderia fazer um bom trabalho.

 

E com relação ao Projeto Epopéia, você tem participação no roteiro, da tão comentada Morte da Velta?

Não. É tudo idéia do Elenilton Freitas e do Marcos Franco. Eu apenas autorizei o uso da Velta, e fiz uma capa, também.

 

O que achou disso tudo que ta rolando com relação ao projeto?

Pelo que estou percebendo, está ocorrendo aquele velho e sempre presente problema da falta de comprometimento de quem aceitou participar. Estou ouvindo falar de reclamações do tipo “não estão entregando no prazo”.

Mas somente o Elenilton e o Marcos poderiam dar certeza do andamento. Estou bem afastado do projeto.

 

Entendo, mas em termos gerais, a história da Morte da Velta é totalmente fora da cronologia da personagem certo? Um projeto que abordar outra forma de ver as coisas?

Pelo que entendi, há uns lances de tempo no meio. E por isso, não afeta a cronologia atual da Velta.

 

Você voltou a fazer contato com algumas editoras para publicar material da Velta ou realmente não vale à pena, mais o esforço?

Desisti por completo das editoras. Não tenho mais paciência para lidar com editores. De vez em quando alguém me indica uma ou outra editora que diz que vai publicar quadrinhos nacionais, mas não entro em contato, pois já sei o modus operandi de todos eles. A história provou que se repetem. Por isso, prefiro não procurar nenhum deles. Não tenho mais pretensão alguma com quadrinhos, a não ser fazer edições para o pequeno público que já existe. Não estou mais a procura de público novo, e nem de editoras. Faço tudo por conta própria, e sem visar grandes metas.

 

E para os fãs da Velta que estão esperando esse grande encontro, o que diria a eles sobre o que esperar da historia?

A Velta se manterá dentro das diretrizes principais que a fizeram ser a personagem que é hoje. E posso garantir apenas que não haverá nenhuma luta entre ela e o Raio Negro “para ver quem é mais forte ou mais poderoso”. Será um encontro o menos infanto-juvenil possível, mas bem marcante só pelo fato dele acontecer.

 

Abração Emir! Valeu pela força de sempre!

Outro para você, e é sempre um prazer ler e colaborar com o Zine Brasil. Tudo de bom para você também e que continue sempre com essa garra de manter o quadrinho brasileiro em evidência.

 

Visite os Sítios do artista Emir Ribeiro:

http://www.emirribeiro.com.br/

http://fotolog.terra.com.br/hqpb