[Cobertura] Noite de Bate papo e Autógrafos com Flávio Luiz, em Recife – PE.

Por Michelle Ramos.

 

Imperdível, essa é a palavra exata para eventos como o realizado no dia 14 de outubro na Livraria Cultura em Recife. E logicamente o Zine Brasil esteve lá cobrindo o evento! Logo de cara a oportunidade, porque não dizer única, de conhecer dois grandes cartunistas, Laílson de Holanda, um dos grandes cartunistas Pernambucano, mundialmente conhecido, criador de obras como Pindorama, Lusiada 2500, e O Alienista; além de outros trabalhos institucionais.

 

Flávio Luiz, outro grande cartunista e a estrela da noite, que veio direto da Bahia para Recife, nos apresentar seu personagem Aú, o Capoeirista; personagem cujo nome significa um conhecido movimento da capoeira; Flávio tem trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior, como o I Festival Internacional de Cartoon da Suécia, em Malmo com o tema ecologia; foi ganhador de prêmios como no Salão de Piracicaba e também é ganhador do Troféu HQMix (2000)– considerado o Oscar dos quadrinhos no País – com a revista independente Jayne Mastodonte Adventures #1.

 

Estiveram presentes no evento, Teo Pinheiro (F.D.P) e Luciano Félix (quadrinista e colaborador da Prismarte), Paulo Floro (editor da Revista O Grito!), Michelle Ramos, (Zine Brasil) alem de outros apreciadores e curiosos.

 

Mas ainda assim, foi uma pena a platéia ter sido pequena, fica registrada minha critica a mídia pernambucana e nacional, que não noticia eventos das artes visuais como deveria.

 

Na Palestra, muito esclarecedora e divertida por sinal; o Flávio falou sobre a cena nacional, seus projetos e experiências no meio independente e fora dele, abordando a importância de apresentar a cultura brasileira nas histórias em quadrinhos desenvolvidas atualmente. Contou como surgiu o personagem Aú, e como o mesmo apresenta a Capoeira, dando exemplos de como o personagem mesmo recente, já tem ganhado fãs de todas as idades.

 

Durante toda a palestra respondeu a perguntas de forma atenciosa e descontraída, sempre sorridente, apresentou seu trabalho e incentivou os artistas presentes a continuarem firmes em seus projetos autorais. Lailson como mediador e também entrevistador, concedeu grandes elogios ao Flávio e apresentou um pouco do mesmo para a platéia, sendo também muito requisitado após a palestra.

 

Flávio ainda Autografou os álbuns de que os fãs e artistas adquiriram durante o evento e tirou fotos com todos que solicitavam inclusive essa que vos fala (risos); neste momento ainda cedeu um tempo para uma pequena entrevista para o Zine Brasil, que vocês poderão ler abaixo.  

Por incrível que pareça o evento terminou até cedo, as 21h20min eu já esta na parada de ônibus pegando meu “buzão”, eu que já estava certa de chegar na minha casa depois das dez da noite, fiquei com gostinho de quero mais!

 

Como você esta vendo o lançamento do Aú? Ta feliz com o resultado alcançado até aqui?

Rapaz ta muito acima das minhas expectativas; a visibilidade dele, em relação a outros trabalhos meus; essa é a mais bacana; eu tava acostumado com três pessoas em meus lançamentos, lá em Salvador foram 255, isso revela a força do personagem e da proposta.

Você acha que ele é o personagem mais significativo que você já criou?

Sim, até agora é o Campeão, ta todo mundo em cima querendo saber, teve gente que reservou antes mesmo do lançamento; tem uma historia bem legal que aconteceu agra a pouco com a filha da amiga de minha mulher, que comprou e deu a revista a filhinha de 6 anos, quando a mãe chegou em casa, a menina estava brincando imitando os passos do personagem, quando a mãe perguntou: Ta brincando de quê? Ela respondeu: To brincando de Aú. Então mostra uma força, e um apelo grande que o personagem tem a diferentes idades.

Nesse Projeto vemos um bom uso de referências fotográficas, onde você retrata tudo de forma praticamente identidade na historia do personagem; O que te inspirou a trabalhar dessa forma com o Aú?

O Quadrinho Europeu é feito assim, os artistas vão até o lugar e pegam referências estudam o lugar e suas características; o que realmente me inspirou foi a beleza do lugar onde eu nasci, e eu queria retratá-la com essa beleza que eu vejo e não uma beleza pra turista vê. Eu quis fazer isso, no Aú, por exemplo, eu fiz as estrelas pontinho por pontinho, tornar a ambientação o mais realista possível.

Sabemos que entre a criação de um personagem e sua publicação leva-se um bom tempo, quanto tempo você teve que esperar para ver seu personagem publicado?

Em termos de publicação, entre criar o personagem, definir a historia, desenhar, arte finalizar, e pintei foram uns nove meses.

Fala-se muito da questão transportar os personagens nacionais para o cinema, você enxergar o personagem já nessa situação?

Sim, eu espero que ele tenha toda essa ressonância não apenas nos quadrinhos, mas no cinema também, ele esta aberto a essas propostas; talvez não agora,pois esta muito, recente, ta muito bom, estou vivendo o melhor momento da minha vida, sou o homem mais feliz do mundo.

Como tem sido a reação de sua família com você, como cartunista? Existe apoio?

É meio engraçado, porque só agora, caiu a ficha da família que o que eu resolvi fazer dá pra me manter, eles me apóiam sim, minha esposa mesmo foi quem me incentivou a criar um blog para divulgar o personagem.

Qual a tua dica ou mensagem para aqueles que tão começando agora no meio independente?

Tem que vir de dentro, tem que amar o que faz; eu carrego na carteira um desenho que eu fiz com quatro anos, e nesse desenho o sol tem um rosto, eu não ia ser um retratista, eu não ia ser um paisagista, eu ia ser um cartunista; está tatuado na alma. Então pra aqueles, que fazem quadrinhos, que gostam, que amam, sejam sinceros, respeitem e se respeitem, não levem desaforo pra casa, mas também na saiam quebrando a cara de ninguém; Tem que ter amor, amor pela arte e pelo leitor, nunca ache que você ta pronto, mas que voce pode fazer melhor.

 

Conheça mais dos artistas nos links:

http://www.auocapoeirista.com.br/

http://www.lailson.com.br/

Fotos: Zine Brasil
 
 

 

 

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4 comentários sobre “[Cobertura] Noite de Bate papo e Autógrafos com Flávio Luiz, em Recife – PE.

  1. Obrigada pelo apoio Evandro, realmente é lamentável ter eventos tão bons e não ver as pessoas comparecendo; visitei seu blog e curtir bastante o conteudo, parabéns!

  2. Antes de tudo, parabéns Michelle, a matéria ficou bem legal. Quanto à platéia, isso realmente é um problema. Sou de Brasília e na semana passada tivemos aqui dois bons eventos de quadrinhos que não foram prestigiados pelo público. Um foi na livraria Cultura com Jô Oliveira e Gabriel Góes e outro foi o lançamento da “Domínio Publico” com o desenhista Kleber Sales na Fnac. Tenho um Blog que fala de rock e Quadrinhos, faça uma visita no http://esfolando.wordpress.com . Valeu!

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