Paraense adapta best-seller para HQ

Postado por Michelle Ramos

 

Curtindo uma folga da rotina de pranchetas e pincéis, o quadrinhista paraense Miguel Imbiriba está em Belém para relembrar o calor de sua terra natal e aproveitar para divulgar o seu novo quadrinho, chamado “Le Dernier Temple”, adaptação do best seller do escritor Raymond Khoury, “O Último Templário”. O novo álbum será lançado na Franca, em março deste ano. Miguel já mora e trabalha na Europa há 10 anos, sendo que oito deles foram vividos na França, trabalhando para a editora Dargaud, onde já é um artista reconhecido e premiado por seus diversos álbuns.

 

Uma de suas produções mais famosas é o quadrinho Myrkos, que conquistou o prêmio do público, no Festival Perros Guirec. Sua carreira começou ainda em Belém, com grupos de quadrinhistas independentes, que juntaram formando o “Ponto de Fuga”. Nele participaram algumas figuras conhecidas no meio dos quadrinhos e animação paraense, como Andrei Miralha e o roteirista Gian Danton. Ainda na metade da década de 90, em meio a uma vida dividida entre agências de publicidade e sua carreira de professor na UFPA, Miguel deu o primeiro passo para a sua carreira no continente Europeu, conseguindo uma vaga na escola de artes espanhola Massana, de Barcelona.

 

Eu já falava inglês e espanhol e fui tentar uma vaga lá. Sempre senti que era muito difícil você fazer quadrinhos em Belém, daí decidi aprender e trabalhar fora”, diz Miguel. A dificuldade relatada por Miguel é a mesma vivida por muitos quadrinhistas paraenses que veem a grande dificuldade de circulação de produções da região no mercado nacional. Geralmente, quem se destaca trabalha exportando suas produções. Depois de uma longa jornada, batendo de porta em porta, de Roma a Lisboa, o artista voltou para Belém, onde publicou o álbum “Galvez, Imperador do Acre”, em parceria com Andrei Miralha, patrocinado pela Secult.

A partir daí, seu trabalho foi para Portugal, onde fez diversas capas para a revista Selecções BD, trabalhando como designer gráfico, até chegar à editora francesa Dargaud. Hoje, aos 38 anos, Miguel Imbiriba tem uma carreira estável no mercado de quadrinhos europeu, conhecido pela exigência e, ao mesmo tempo, pela diversidade artística, que difere sua “Bande Dessinée” dos “comics” americanos. Na definição do próprio desenhista, “O quadrinhos europeu (BD) é um trabalho mais autoral, você tem um pouco mais de liberdade em relação ao formato americano. Eu sei que um trabalho feito por mim tem o meu estilo e isso é muito bom” explica Miguel.

 

Em cada continente, os quadrinhos têm um nome. No entanto, em determinados lugares, seu estilo e sua linguagem sofrem modificações conforme a influência da cultura e do mercado local. Nos EUA, temos os “comics”, que são chefiados pelo estilo “super-heróis”, considerado o seu mais rentável produto, com ícones como Superman, Batman e Homem-Aranha. Na Europa, a “BD” é um dos vários estilos do velho continente, que tem os famosos “Fumetti” italianos como Tex, Zagor e Dylan Dog. O traço é mais leve e dotado de técnicas clássicas de desenho, além de o fato das histórias possuírem um ritmo diferente e, muitas vezes, bem mais realista. O estilo é uma das grandes preferências do mercado europeu.

 

TEMPLÁRIOS – Em seu novo trabalho, Miguel explora um lado que adora: cenários medievais e contextos históricos. O quadrinhista foi responsável pelos de desenhos e roteiros e fala com empolgação da história: “Eu adoro estudar história e contexto com cenários medievais, algo que essa história me proporcionou. O livro mostra uma aventura que se passa tempo dos templários e depois nos dias atuais passando por Nova York, Turquia, Grécia e outros lugares. Para criar isso, eu e a colorista Catherine Peynet fizemos dois estilos, uma para cada época. No mundo medieval, as cores são mais trabalhadas, o traço é feito com caneta bico-de-pena e tudo é pintado à mão. Aliás, eu tive sorte de conseguir uma colorista muito talentosa. Nas imagens do presente, você percebe cores mais frias e sem muitas varias ações, além do ritmo mais acelerado, algo que reflete a sociedade de hoje”, explica Miguel. O quadrinho “Le Dernier Temple” tem previsão de lançamento para o dia 13 de março, na França, e ainda não tem data para chegar ao Brasil.

 

SAUDADES DE CASA – Há tanto tempo no exterior, Miguel confessa que sente falta do calor amazônico de Belém. “Lá fora, as relações são mais frias e você começa a valorizar coisas simples da nossa terra: os times Remo e Paysandu, o pato no tucupi, que eu considero a comida mais saborosa do mundo, o calor, a chuva. A verdade é que me sinto muito paraense lá fora e isso aumenta a saudade daqui”, declara Miguel, que já está de viagem marcada para a França, onde começara a trabalhar no segundo álbum “Le Dernier Temple”. Mas, antes disso, ele ainda vai passar alguns dias pelas praias paraenses e lembrar como é uma boa praia de rio.

 

Foto: Raimundo Paccó

Fonte: Diário do Pará