Associação de Cartunistas defende livro distribuído por engano a alunos da 3ª série em SP

A Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) divulgou um comunicado nesta quarta-feira (20) defendendo o livro “Dez na área, um na banheira e nenhum no gol“, da Editora Via Lettera.

A obra, que contém palavrões e quadrinhos com conotação sexual, provocou polêmica ao ser indicada para alunos de nove anos da terceira série do ensino fundamental pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo.

Segundo a ACB, o livro é premiado e traz desenhistas também premiados, inclusive fora do Brasil. As informações divulgadas pela imprensa, diz a associação, “podem depor contra um trabalho sério nas escolas de utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura e cultura nacional“.

Fica evidente que houve um descuido de quem escolheu esse título para distribuição para o ensino básico, mas não se pode dizer que os artistas estão deturpando algo, como fica a impressão das matérias. Uma criança de nove anos assiste ao futebol com o pai, que não deve economizar em seu linguajar diante da emoção que o esporte exerce sobre seus torcedores“, explica a ACB.

A entidade continua defendendo a obra, alegando que “as transmissões de futebol não conseguem evitar o som dos palavrões cantarolados pelas torcidas. Portanto não é criação dos desenhistas a linguagem chula, mas simplesmente estão colocando o que todos vêem num jogo de futebol pelas transmissões livres de censura. Ao mesmo tempo, a forma como são colocadas as mulheres no futebol com as ‘Maria Chuteira’ ou ‘travestis’ que se relacionam com jogadores, nas reportagens, que não são também censuradas, só podem ter um reflexo nas histórias dos autores do livro“.

O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular. “Apenas houve um equívoco na escolha pela faixa etária a que se destinava os livros”, afirma a nota.

Por Redação Portal IMPRENSA – http://portalimprensa.uol.com.br/

10 comentários sobre “Associação de Cartunistas defende livro distribuído por engano a alunos da 3ª série em SP

  1. É nos momentos difíceis que os profissionais devem se posicionar. Porque o quadrinho é uma causa que deve ser defendida, em especial porque é “combatida”, em todos os meios de comunicação por aqueles que não se afinam com essa linguagem, seja por um motivo de interesse ou por outro, de gosto mesmo. E é por isso a diversidade de caminhos e gêneros de HQ pode sim, fazer com que mais pessoas se afinem com a idéia de um quadrinho nacional.
    E sempre com ênfase na qualidade.
    Obrigado pela tribuna.

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    • Apoiado Tiburcio, nessas horas o importante é apoiar e se unir, ainda mais quando o assunto esta tão polêmico, a arte nem sempre é compreendida, ainda mas quando mostra o que existe de errado no nosso Brasil, e ficar de olho e nos unir para preservar os artistas da HQ, incluse do citado album. Eu que agradeço sua participação nesse “debate” 😉

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  2. oi michelle. eu tinha comentado esse assunto outro dia no twitter, acho q vc nao viu. como vc tinha dito lá, bom seria ter o livro em mãos pra então opinar. e é assim mesmo, com a polêmica ficamos mais curiosos, mas censura nunca foi legal e, no brasil, bastante hipócrita: exemplo as dublagens para tv q trocam “merda” por “droga” e não sei em q ajuda.

    reativando devargazinho o flog e blogs… breve novidds. beijão

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    • Pois é Erick, a hipocresia é uma mania do Brasileiro, ao menos muitas pessoas concientes estão vendo em quem esta o erro, agora é ficar em união e apoiar a HQ nacional, para que a mesma não seja prejudicada de algum forma, o que creio que não vai ser. Vou dá uma espiada na sua atualização ok? Abração.

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  3. A História em Quadrinhos é ferramenta certeira no avanço do ensino fundamental no Brasil, pois ao contrario do que se imagina, ela propicia o aprendizado e gosto pela leitura. Justo é que essa publicação que foi comprada por engano – é mais que evidente – seja substituída por outro gibi adequado ás crianças.

    O livro não foi mal feito, foi mal escolhido.

    E tomara que esse episódio ajude sim, porque nao – a divulgar os quadrinhos que podem e devem ser adotados em escolas e para crianças, por que existem e é uma chance de ouro para o quadrinho nacional, pois nesse universo não é preciso competir com a DC e Marvel.

    Agora sim, é momento de união.
    (é com voce, Michelle)

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    • Vc disse Tudo Tiburcio, infelizmente ainda estamos vivendo um momento de cada um por si na HQ Nacional, cada união, geralmente é mais focada quando se precisa do outro, quem não sabe desenhar se une com quem desenha e quem não sabe escrever com quem escreve, e por ai; esse caso infelizmente serve para mostrar como anda a educação no Brasil ou a falta de cuidado na educação brasileira, porque já é o segundo caso em coisa de dois meses que acontece esse tipo de erro, foi mais notado agora porque é uma revista em quadrinhos, especialmente num momento onde os quadrinhos estão começando a ganhar mais visibilidade e apoio nas escolas, espero que essa cobrança na midia, dos professores e atitudes como a da Associação, possam mudar a atual siatuação na forma que são feitas essas seleções de material educação; e assim, nosso quadrinhos possam ser vistos como merecem em sua faixa de idade correta.

      Com certeza é um momento de união, uma união verdadeira onde os quadrinistas podem deixar em seus espaços virtuais e impressos uma nota sobre o que esta ocorrendo, mostrando o verdadeiro erro, que esta nas pessoas que escolheram esse album para crianças; ( oque pra mim nem passaram sequer o olho) foi uma verdadeira mostra de descaso isso sim. É ficar na torcida para que tudo seja resolvido sem sujar o já tão desprezado quadrinho brasileiro. Valeu pelo comentario Tiburcio! 😉

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  4. Mas o alvo da discussão não é esse.

    O palvrão está presente a cada esquina, e contínua sendo chulo, acho que deveria ser utilizado sim tirinhas que reportem o cotidiano, o linguajar popular na escola. mas não nesse nível de ensino.
    NÃO ESTAMOS CRITICANDO A OBRA. sim para quem foi destinado…

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    • Essa é a preocupação da Associação e de todos os artistas que trabalham com a nona arte no Brasil Edson, que as pessoas entendam que a obra nada tem de culpada nesse erro, o erro é dos responsaveis pela seleção de material para as escolas, que foram descuidados nesse caso, fico feliz que vc entre varios outros tenha entendido, obrigada pela visita e comentario!

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