Desenhar dói

Eu aprendo muito com meu filho!

O Breninho está com 4 anos de idade, vive pendurado de ponta cabeça no sofá da sala, só gosta de comer porcaria e adora o Discovery Kids. Outra coisa que ele gosta, também, é de desenhar. Será que puxou o pai?

Bem, mas o que eu quero falar aqui é sobre esse negocio de desenho. Eu comecei a desenhar mais ou menos igual a meu filho, bem pequeno. Eu desenhava muito, minha mãe me dizia que eu passava horas rabiscando – aliás, essa era uma das técnicas que a dona Maria Helena Gratão utilizava pra me manter ocupado – ou seja, sem ficar grudado na barra da saia dela, com o dedo no nariz e chorando – ela não deixava faltar lápis, papel e canetinhas lá em casa. Mas como eu desenhava muito, ou talvez por isso ter acontecido a mais de trintas anos e eu já ter me esquecido dos detalhes, algumas coisas me passavam despercebidas sobre o ato de desenhar propriamente dito. Por exemplo, uma coisa que meu filho reclamou esses dias: DESENHAR DÓI!

Você já tinha reparado nisso?Desenhar dói! pra que não está acostumado à desenhar é muito doloroso passar alguns minutos segurando um lápis e rabiscando um papel. Sério, é mesmo! Os músculos da mão da gente ainda não estão acostumados pelo habito de desenhar, ou seja, ainda não estão calejados pra ficarem naquela posição encolhida, desconfortável, de segurar o lápis por tanto tempo.

A mesma coisa acontece quando aprendemos a escrever, mas nem percebemos, porque os professores são espertos e vão nos ensinando devagar. Primeiro o A. Escrevemos o A algumas vezes, mas antes que nos cansemos dele, paramos e podemos ir fazer outra atividade. Outro dia o E. Outro dia, I, O e U… Bem de vagar, sem traumas… e quando percebemos já estamos prestando a maior atenção nos ditados das professoras, ou colando das letras bem desenhadinhas delas que estão na lousa, ou já escrevendo uma redação para o vestibular. É temos tempo pra aprender, nem dói tanto!

Já desenhar, não. Aquele mulequinho lá na sala de estar, pega os lápis de cor e só para quando a Galinha Azul está todinha colorida… Depois a casinha dela, e depois a árvore, a cerca, o milho… Mas é aquela dorzinha gostosa, que passa logo, vale a pena!

Hoje em dia passo horas desenhando profissionalmente. Cansa. Não só a mão, de tanto segurar o lápis, as canetinhas, o mouse ou a tablet. Cansa a vista, o pescoço, a coluna… Mas todo esse esforço vale a pena na hora de pegar o desenho pronto, publicado no jornal ou até mesmo na web. Vale muito! As dificuldades existem, mas sem elas, não podemos completar nossos objetivos.

Se você quer desenhar bem, faça como meu filho, e como eu mesmo fiz uns trinta anos atrás: comece! Faça a sua mão ficar calejada, dolorida, sue a camisa, queime alguns grafites! E boa sorte!

Por Marcos Gratão (colaboração enviada por e-mail)

Marcos Gratão é quadrinista e autor do site HQ Nado.