Os donos do traço

Artistas de Bauru comentam influências e técnicas no Dia Mundial do Desenhista

Imaginação e técnica fazem parte das ferramentas do bom desenhista, como de todo artista. O produtor desta mágica arte, que pode vir na forma de quadrinhos, cartuns, charges, animações, desenhos gráficos, entre outras, tem seu talento comemorado hoje, Dia Mundial do Desenhista.

O desenhista reproduz, modifica ou cria realidades através de traços e é expoente de uma arte com importância prática e lúdica. A data é uma referência ao nascimento do gênio renascentista Leonardo Da Vinci, mestre desenho.

Fernando Dias, chargista do JC há 23 anos, revela que os personagens de histórias em quadrinhos, os super-heróis, foram a inspiração para um menino aficionado desde cedo em desenho. “Desde criança eu gostava de desenhar porque gostava muito de quadrinhos. Hoje, não faço quadrinhos, mas o que me motivou foi isso”, destaca, lembrando que sua capacidade precoce já lhe valia a missão de ilustrador de trabalhos de escola.

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Fernando Dias e uma de suas charges diárias no JC: atento a fatos do cotidiano para produzir com charme e ‘veia crítica’

Motivação
Fernando se define como cartunista, afirma que jamais cogitou ter outra profissão e sempre recebeu apoio familiar para seguir sua vocação. “Minha família me incentivou demais. E também o Aucione [Torres Agostinho], que foi chefe chargista do Jornal da Cidade e quem me colocou aí”, lembra com gratidão.

O artista relata que fez um curso de caricatura com Aucione, onde o então chargista do JC conheceu seu trabalho. “Alguns meses depois do curso, ele precisou sair do jornal e me indicou para a vaga”.

As charges diárias no jornal exigem atenção e perspicácia. Ligado principalmente nos fatos políticos, surge a sátira na medida certa. O chargista afirma que não existe uma fórmula para o processo funcionar e que se guia muitas vezes pela pura inspiração. “Não sei explicar isso. Não tem uma fórmula. Às vezes, eu tento ligar um acontecimento político com outra coisa que está ocorrendo, por exemplo um filme. Mas, de fato, não é sempre”.

De ‘mau’ aluno a bom professor

O desenhista Leandro Gonçalez é a prova de que desenhar durante as aulas na escola nem sempre é prejudicial. Se trocou as equações matemáticas ou os nomes dos afluentes do Rio Amazonas pelos traços nas folhas em branco de seu caderno, os momentos de distração do conteúdo que o professor se esforçava por transmitir não foram desperdiçados.

Cultura

Leandro Gonçalez em ação: quadrinhos e pinturas no trabalho autoral que leva tempo e rende elogios

Hoje, o hobby é profissão e quem dá aulas é próprios Gonçalez. Aulas de desenho, é claro.

O desenhista afirma que desde criança era fã de cinema e quadrinhos e sua vocação foi despertada aí. Um colega de escola foi determinante para a inspiração ganhar contornos.

“Aos 11 anos, havia um menino [Luciano] que desenhava bastante dentro da sala de aula na escola e me influenciou muito. A gente passou a fazer fanzine juntos, quadrinhos… Aos 18 anos, trabalhamos juntos em uma agência de publicidade e propaganda. Dois amigos de infância que realizaram o sonho de trabalhar com desenho”, comenta.

Como fazer?
Hoje, Gonçalez trabalha com produção de quadrinhos, cartum, além de pintura. O desenhista divide seus conhecimentos em aulas de quadrinhos e cartum e avalia que um bom desenho alia técnica e inspiração. “Mas a inspiração um pouco mais. Tem muito artista que admiro pelo fato de ter produzido bastante do que pela técnica. Às vezes, o trabalho autoral é mais importante do que a técnica”, conclui.

Visto no JCNET. por Wagner Teodoro.

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