Pancada: a prima ‘pobre’ da revista MAD

Nesse primeiro número havia uma mistura de material nacional com material norte-americano

Há 40 anos chegava às bancas brasileiras uma revista de quadrinhos de humor nos mesmos moldes da norte-americana MAD (que havia estreado 25 anos antes nos EUA, em 1952, pelas mãos de Harvey Kurtzman e Willian Gaines, duas lendas mundiais dos quadrinhos)

A revista “Pancada”, editada pela Abril Cultural, trazia na capa uma sátira sobre o descobrimento do Brasil e tinha até um mascote no mesmo estilo do já consagrado Alfred E.Newman, símbolo abobalhado do leitor da MAD.

Nesse primeiro número havia uma mistura de material nacional, produzido por artistas como Claudio Marra, editor da revista, e Bira Dantas, hoje experiente ilustrador e quadrinista paulista; com material norte-americano feito por gente do quilate de John Severin, por exemplo. Na verdade, nada mais era do que a versão tupiniquim daquilo que Severin  já publicava na revista Cracked (Major Comics, 1958), essa sim uma cópia deslavada da MAD.

Satirizando desde filmes famosos da época como “Tubarão” e “Embalos de sábado à noite” até novelas como “Gabriela” e filmes nacionais como “A dama do lotação”, a Pancada também falava sempre de política. Inclusive, com uma famosa capa em que a palavra “eleição” estava grafada bem grande e, só quando se via de perto, dava para ler em cima “neste número não publicamos nada sobre” (edição nº 19); bem no estilo Pancada de humor.

Uma pena que os quadrinhos desse tipo estejam cada vez mais restritos à produção independente e mesmo os seus maiores representantes, como o artista Osvaldo DaCosta, por exemplo, não encontrem muitos espaços para exercer toda a sua acidez. Num tempo de bobagens explícitas na Internet, uma revista inteligente como Pancada talvez nem existisse, mas não deixa de ser um registro histórico importante de uma fase áurea dos quadrinhos nacionais.

Além dos já citados Bira Dantas e Claudio Marra, passaram pelas páginas de Pancada nomes importantes dos quadrinhos nacionais como Waldyr Igayara, Ivan Saidenberger, Carlos Chagas, Renato Canini, Primaggio Mantovi (criador do famoso palhaço Sacarrolha, um dos grandes sucessos dos quadrinhos nacionais), Geandré, Carlos Edgard Herrero (criador da versão Tarzan de Peninha para a Disney do Brasil, o “Pena das Selvas”), Nani e muitos outros.

Pancada durou exatos 33 números, encerrando sua carreira nacional em janeiro de 1980, mas deixou saudade em muita gente que, pasmem, lia tanto este título quanto a MAD, que já tinha sua versão nacional desde 1974 e que, até hoje, ainda pode ser encontrada. Infelizmente, já não podemos mais seguir o slogan da campanha de lançamento da revista e, chegando numa banca, pedir ao jornaleiro: “Moço, me dê uma Pancada!”. Bons tempos.

Escrito e Publicado originalmente pela redação do Diário do Litoral.

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