André Balaio lança “Quebranto”, na Casa Cultural Villa Ritinha, em Recife .

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Amanhã, dia 10 de março, o escritor e roteirista André Balaio lança seu primeiro livro. “Quebranto” reúne 13 contos de literatura fantástica como o premiado “O lado de lá” na categoria conto na OFF Flip em 2016.

André Balaio, escritor, roteirista e cofundador do site O Recife Assombrado, lança treze histórias que levam o leitor para um passeio pelo terreno movediço e misterioso do sobrenatural e do insólito.

Embora escreva há anos, André não teve pressa para trilhar um caminho independente e ter um livro só seu.

Desde 2000 ele coleciona lendas e causos de malassombros em seu site, mas é possível perceber que nessa obra Balaio assume uma voz própria para complementar o universo da Literatura Fantástica. “Os contos não seguem a linha do terror comum. Eu uso o sobrenatural para criar metáforas sobre sentimentos como culpa, raiva e tristeza”, afirma o autor.

Quebranto” é uma reunião de narrativas fortes em que o fantástico e o insólito aparecem como fissuras na aparente normalidade de seus personagens. Após ler o livro, o premiado escritor Marcelino Freire ressaltou que, embora fosse uma obra de literatura fantástica, o melhor dos contos era justamente a construção dos personagens.

A obra conquistou o terceiro lugar no concurso literário internacional da União Brasileira de Escritores (UBE–RJ) no último ano, assim como foi finalista no Prêmio Nacional Sesc de Literatura de 2017 (sob o título “Noite Cega”) e também no Concurso Literário Nacional CEPE 2017.

Em 2016, André já havia sido vencedor do prêmio literário Off Flip na categoria “Conto” com a história de fantasmas “O lado de lá”, que faz parte da coletânea.

O livro está sendo lançado pela Patuá, editora independente de São Paulo responsável por algumas das melhores publicações dos últimos anos, entre as quais obras da premiada escritora pernambucana Micheliny Verunschk, que também assina a orelha do livro.

O lançamento será na charmosa Casa Cultural Vila Ritinha – casarão do século 19 localizado na Boa Vista que hoje é um café e centro cultural – no sábado, 10, das 17h às 21h. Durante o evento, o escritor Sidney Rocha (responsável pelo texto de apresentação na contracapa) e o ator, diretor e escritor Marcello Trigo farão leituras de trechos do livro

A entrada é gratuita e o exemplar será vendido por R$ 40.

Trecho do conto “Quebranto”

Na estrada vicinal, passou a ponte sobre um leito de rio seco e virou no caminho estreito após um trecho de mata, dobrou à direita e viu outra ponte feita com ripas de madeira transversais idêntica à anterior. Parou o carro e observou. Era a mesma ponte. O suor escorria e não aparecia ninguém a quem perguntar. Seguiu. De novo os arbustos, a estradinha de terra, novamente a ponte, a mesma ponte. Estava em círculos.

Surgiu na curva uma carroça puxada por um pangaré, tão magro quanto o velho de barba branca, chapéu de palha e fumo no canto da boca que a conduzia. Veio devagar na direção do carro. Lorena desceu e balançou as duas mãos para que parasse. Já não acreditava que encontraria o lugar, queria ao menos achar o caminho de volta. O homem era igual, igualzinho a Sebastião, o empregado da fazenda. Sebastião, é você?

Ele não respondeu, apenas apontou para uma casinha logo na frente, quase invisível no meio de plantas e arbustos. A casa estava lá o tempo todo mas era como se tivesse aparecido naquele momento. O velho açoitou o cavalo com um chicote e continuou o caminho sem se despedir. Lorena bateu palmas na frente do portãozinho e uma mulher: pode entrar! Tentou girar a maçaneta, estava fechada, bateu na porta pequena – parecia a casa dos sete anões – e nada. De novo a voz: aqui atrás!

Nos fundos da casa havia uma mesa coberta de imagens de São Sebastião flechado, Iemanjá de braços abertos e São Jorge a cavalo matando o dragão, crucifixos, velas brancas, bandejas com mangas, melões e melancias, abrigada à sombra de uma mangueira de copa imensa.

– Finalmente a moça da cidade.

A voz guiou a vista de Lorena para cima, para um galho da árvore, onde se agarrava a velhinha miúda de vestido branco e cachimbo na boca que desceu pelo tronco com a rapidez de uma onça e esticou o braço à frente com a mão de pele grossa emborcada que a jovem, sem jeito, beijou.

Serviço:

“Quebranto”, de André Balaio

Quando: sábado, 10 de março

Horário: 17h às 21h

Onde: Casa Cultural Villa Ritinha,

Rua Soledade, 35 – Recife/PE

R$ 40 | 128 páginas

Editora Patuá

Informações: (81) 99773-8094

EM TEMPO: O escritor André Balaio também estará participando de uma Roda de Conversa na Academia Pernambucana de Letras no dia 24 de Março, saiba mais clicando aqui.

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